Manifestação contra remoções em Belo Horizonte
Na próxima quinta-feira (29), a Frente de Luta Despejo Zero BH lidera uma mobilização contra despejos e remoções que afetam famílias e grupos vulneráveis na capital mineira. O ato terá concentração às 15h na Praça Sete, no Centro, e tem o objetivo de pressionar a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) a buscar alternativas para as ordens de despejo que ameaçam diversas comunidades na cidade.
Comunidades em risco e processos judiciais
Entre os locais sob ameaça estão a Kasa Invisível, na avenida Bias Fortes; a Ocupação Maria do Arraial, na rua da Bahia; a Ocupação Carolina Maria de Jesus, no Centro; e a sede da União Auxiliadora dos Cegos de Minas Gerais, no bairro Santa Tereza. Apesar das diferentes origens das ações judiciais e administrativas, todas enfrentam o risco de expulsão de pessoas que construíram suas vidas e vínculos comunitários nesses espaços.
Destaque para o caso da União Auxiliadora dos Cegos de Minas Gerais, na rua Mármore, 664, em Santa Tereza, que acumula mais de 70 anos de história. A entidade já abrigou mais de mil pessoas cegas, e atualmente dez idosos cegos residem no local, alguns há mais de cinco décadas. O prédio, de três andares, foi erguido com recursos próprios da comunidade, inclusive por meio da mendicância.
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O governo federal moveu um processo judicial devido a dívidas acumuladas nas décadas de 1970 e 1980, que resultou no leilão do imóvel em 2012, mesmo com moradores residindo ali. A Frente de Luta Despejo Zero BH denuncia que a PBH tem pressionado pela efetivação do despejo, cuja concretização estaria próxima.
Demandas e mobilização coletiva
Os movimentos reivindicam o cancelamento imediato das notificações de despejo e a implementação de medidas que garantam a permanência dos moradores, especialmente pessoas idosas e com deficiência. A manifestação busca esclarecer quais providências o município tem adotado e quais alternativas vêm sendo consideradas para evitar a perda de moradia dessas populações.
A articulação também fortalece a mobilização em defesa da Ocupação Carolina Maria de Jesus, onde famílias pedem a transferência do imóvel em risco de leilão pelo governo federal. Em relação à Kasa Invisível e à Ocupação Maria do Arraial, a Frente exige o cancelamento das ordens de despejo, defendendo o direito à moradia e a preservação dos vínculos sociais nesses territórios.
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Fonte: rjnoar.com.br
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Fonte: jornalvilavelha.com.br
Revitalização urbana e riscos para as comunidades
A Frente relaciona as ameaças de remoção às transformações urbanas em Belo Horizonte, especialmente após a aprovação do Projeto de Lei 574 pela Câmara Municipal. Apelidado por críticos como “PL da Gentrificação”, o projeto prevê intervenções para revitalizar áreas tradicionais, mas pode favorecer a valorização imobiliária e expulsar moradores de baixa renda de bairros centrais e áreas próximas à avenida do Contorno.
O movimento defende que a revitalização não deve ocorrer às custas do deslocamento das comunidades populares. A campanha unificada busca impedir despejos e promover soluções que assegurem a permanência dos moradores nos territórios onde vivem.
Posicionamento da PBH
A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para comentar as denúncias apresentadas e aguarda retorno sobre as medidas adotadas diante das ameaças de despejo nas comunidades.
