Um tributo monumental no coração de Belo Horizonte
Um mural impressionante de 1.600 metros quadrados tomou conta da lateral de um prédio na avenida Álvares Cabral, nº 347, no centro de Belo Horizonte. A obra é uma homenagem ao cantor milton nascimento, que completa 84 anos no próximo mês, e foi criada pelo renomado muralista Kaká Chazz.
A pintura representa Milton em duas fases distintas da vida. Na parte superior, ele aparece durante sua turnê de despedida dos palcos em 2022, enquanto na parte inferior, o mural mostra o cantor em sua juventude. O trabalho traz ainda elementos do barroco mineiro, referências ao sertão, à fé e à cultura popular, compondo um retrato rico e simbólico do artista.
A conexão entre Milton, Kaká Chazz e Minas Gerais
Kaká Chazz, natural de Três Pontas, cidade do sul de Minas Gerais, tem uma ligação especial com Milton Nascimento. Foi nessa cidade que o cantor, apesar de carioca, passou boa parte da infância, consolidando sua identidade mineira. O filho de Milton, Augusto Nascimento, compartilhou a emoção de ver o mural quase pronto em suas redes sociais, destacando a genialidade do artista e a beleza que a homenagem trouxe para Belo Horizonte.
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“BH, que já era linda, agora ficou maravilhosa”, escreveu Augusto.
Fábrica de Graffiti e a valorização da arte urbana
O mural faz parte da 20ª edição do projeto Fábrica de Graffiti, que tem como missão revitalizar espaços urbanos e valorizar a arte nas ruas da capital mineira. Patrocinado pela Fundação ArcelorMittal, o projeto também apresenta outras intervenções recentes no centro de Belo Horizonte, como as realizadas por Ailton Krenak e Rafaela Ianni.
Para Kaká Chazz, pintar Milton Nascimento vai além de retratar um ícone da música brasileira. “É pintar uma pessoa que teve uma trajetória de muitas lutas, mas que se entregou verdadeiramente àquilo em que acreditava: à arte e ao povo”, afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo.
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O legado de Milton Nascimento e o Clube da Esquina
Milton Nascimento é um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira (MPB) e cofundador do Clube da Esquina, movimento musical que surgiu em Belo Horizonte durante a Ditadura brasileira (1964-1985). Ao lado de Lô Borges, Milton incorporou elementos do rock, bossa nova e jazz aos ritmos regionais, criando canções que carregavam mensagens sociais, políticas e existenciais, fundamentais para a cultura nacional.
Em um período marcado pela censura e repressão, o Clube da Esquina tornou-se um símbolo de resistência e inovação artística. Ao longo da carreira, Milton lançou mais de 30 álbuns, incluindo clássicos como “Travessia”, “Maria Maria”, “Canção da América” e “Nada Será Como Antes”.
Em 2022, ele encerrou sua trajetória nos palcos com a turnê “A Última Sessão de Música”. O show final aconteceu em 13 de novembro, no estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, reunindo fãs em uma celebração emocionante.
