Ailton Krenak transforma fachada de prédio em arte urbana no CURA 2026
Ailton Krenak, filósofo, escritor e ambientalista reconhecido nacionalmente, será responsável pela pintura de uma empena de dez andares no coração de Belo Horizonte. Primeiro indígena a integrar a Academia Brasileira de Letras, Krenak já teve seus livros traduzidos para diversas línguas e é figura central em documentários e palestras no Brasil e no exterior. A obra, que começará a ser feita em 19 de agosto, poderá ser acompanhada do espaço público, propiciando uma experiência única para quem passa pela região central da capital mineira.
Sobre o convite para criar nessa escala, Krenak destaca o impacto de transformar um prédio em uma paisagem artística. “Tem um chamado para a subjetividade, para a poesia, para o sonho”, afirma o artista, ressaltando o caráter simbólico da pintura em um espaço tão visível e extenso.
Mônica Nador também participa com obra marcada pela colaboração comunitária
Na mesma data, outra empena será pintada por Mônica Nador, artista paulistana de 71 anos e referência em pintura mural no Brasil. Fundadora do JAMAC – Jardim Miriam Arte Clube –, Nador desenvolve trabalhos que envolvem diretamente a comunidade local, compartilhando a autoria das obras com os moradores. O projeto do CURA 2026 propicia o diálogo entre arte e comunidade, promovendo um processo criativo coletivo e inclusivo.
Leia também: Mural da Copa do Mundo Feminina une futebol de várzea, cultura pop e memória em Belo Horizonte
Leia também: Belo Horizonte celebra a Copa do Mundo Feminina com novo mural e Mineirão como sede
Descansar enquanto: o tema que inspira a edição 2026 do CURA
O tema escolhido para a edição de 2026 é “Descansar Enquanto”, que propõe uma reflexão sobre o descanso não como simples pausa, mas como um posicionamento frente a uma sociedade marcada por excesso de estímulos e urgências. O festival dialoga com o livro “Descansar é Resistir”, da autora norte-americana Tricia Hersey, que defende o descanso como uma forma de resistência contra estruturas que exploram a exaustão, atravessadas por desigualdades de gênero, raça e classe.
A curadoria ficou a cargo de Luciara Ribeiro, pesquisadora dedicada às artes africanas, afro-brasileiras e indígenas, que trouxe para o festival uma perspectiva decolonial e inclusiva, ampliando o significado das obras apresentadas.
O impacto do CURA na arte pública de Belo Horizonte
Desde 2017, o CURA tem transformado fachadas de edifícios em Belo Horizonte com murais de grande escala, assinados por artistas nacionais e internacionais. São mais de 30 prédios pintados, formando um dos maiores acervos de arte pública a céu aberto do país. A edição de 2026 marca o fim de um ciclo de cinco anos que consolidou uma praça central da cidade como uma galeria vertical, preparando o terreno para o décimo aniversário do festival em 2027.
Leia também: Emicida Promove Campanha Pro-Leitura Antes de Show em Belo Horizonte
Leia também: Campanha para Salvar o Cine Graciano Mobiliza Belo Horizonte
Além das empenas, o evento oferece uma programação gratuita e aberta ao público. Nos dias 26 e 27 de agosto, seis artistas realizarão sessões de pintura ao vivo em painéis externos, com as obras expostas até o encerramento do festival. O público poderá ainda desfrutar de um mirante com vista panorâmica da cidade, travessias de highline entre prédios, uma mesa de desenho aberta e atividades voltadas para crianças e famílias.
No dia 20, o CURA se une ao Sesc Palladium, que comemora 15 anos, para lançar uma nova obra na fachada da unidade e promover uma noite dedicada à pintura, dança e cultura ballroom. A programação se encerra em 30 de agosto com a Festa Honk BH, celebrando o encerramento das atividades.
