Arte urbana celebra a Copa do Mundo Feminina em BH
A contagem regressiva para a Copa do Mundo Feminina da Fifa 2027 já está visível nas ruas de Belo Horizonte. Um mural localizado na Avenida do Contorno, 1822, no Bairro Floresta, região Leste da capital mineira, destaca a chegada do torneio, que será realizado entre 24 de junho e 25 de julho de 2027. A obra faz parte de um festival nacional de arte urbana que acontece nas oito cidades-sede do evento: Salvador, Recife, Fortaleza, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e, claro, Belo Horizonte.
A artista visual Massuelen Cristina é a responsável pela criação na capital mineira. Sua pintura reúne elementos da cultura pop, do futebol de várzea e da história local, com destaque para Luzia Pinta, uma mulher negra escravizada em Minas Gerais no século XVIII. Essa combinação constrói uma narrativa que conecta passado, presente e a força do futebol feminino.
Fusão simbólica entre mulheres e futebol
No mural, duas mulheres aparecem realizando a tradicional pose de “fusão”, popularizada pelo anime japonês Dragon Ball. Na animação, essa técnica une dois personagens para formar um guerreiro mais forte, simbolizando poder e união. Para Massuelen, a imagem traduz a união construída no futebol feminino, onde atletas de diferentes times se unem para transformar o esporte em uma verdadeira arte.
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“Essa obra traz a união a partir do futebol feminino, das mulheres. Apesar de não serem necessariamente do mesmo time, mas de equipes opostas, elas constroem juntas o futebol como arte”, explica a artista. A escolha da referência ao universo geek também tem um significado pessoal: ela remete à infância, ao lado infantil que permanece mesmo após conquistar o sonho de ser jogadora profissional.
Futebol de várzea e resgate histórico
Outro destaque do mural é a personagem Luzia, criada para representar uma menina negra cuja trajetória está ligada ao futebol. Essa figura dialoga diretamente com a tradição do futebol de várzea, muito presente em Belo Horizonte e em Minas Gerais como um todo. “Quando comecei a desenvolver as artes que seriam representadas em Belo Horizonte, quis falar sobre o futebol de várzea, que é muito popular na cidade e em Minas Gerais de forma geral”, afirma Massuelen.
O nome Luzia também tem um significado profundo. Ele remete à pesquisa artística de Massuelen chamada “Curar Tempo”, que aborda a história de Luzia Pinta, uma mulher negra escravizada no século XVIII e acusada de bruxaria pela Santa Inquisição Portuguesa. Essa conexão traz à tona uma memória importante da população local, reforçando o papel do mural como um espaço de diálogo histórico e cultural.
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Conexão entre arte urbana e futebol
Essa intervenção artística em Belo Horizonte integra um projeto da Fifa que convidou oito artistas brasileiras para criar obras inspiradas na identidade das cidades-sede da Copa do Mundo Feminina. Além de marcar a contagem regressiva para o torneio, o projeto tem o objetivo de aproximar o evento da população por meio da arte urbana, valorizando a tradição brasileira de usar os muros das cidades como espaços de manifestação e expressão, especialmente em grandes competições de futebol.
Assim, o mural na Avenida do Contorno não apenas celebra o futebol feminino e a cultura local, mas também fortalece a ligação entre esporte, história e comunidade, reafirmando a importância do evento para Belo Horizonte e para Minas Gerais.
