Suspensão da Licitação da Copasa
O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) decidiu suspender uma licitação internacional da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), que visa a construção da Estação de Tratamento de Esgoto do Ribeirão do Onça, na região metropolitana de Belo Horizonte. Com um orçamento estimado em cerca de R$ 1 bilhão, a obra tem como meta aumentar a capacidade de tratamento de esgoto de 1,8 mil para 2,7 mil litros por segundo.
A deliberação foi unânime entre os membros do TCE-MG e ocorreu após a denúncia da empresa Oeci, que apontou possíveis irregularidades no processo licitatório. O modelo da licitação em questão prevê a contratação integrada — englobando projeto, execução das obras, fornecimento de equipamentos, operação e manutenção — e adota o critério de menor custo total para julgamento.
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O relator do processo, conselheiro Alencar da Silveira Júnior, destacou haver indícios significativos de falhas que podem ameaçar a legalidade e a economicidade da licitação. Um dos pontos questionados é a divulgação antecipada de recursos administrativos a concorrentes, antes do término do prazo legal, o que poderia ter favorecido algumas empresas participantes.
Irregularidades e Distorções Identificadas
Além da divulgação prematura de informações, o TCE-MG também apontou que a proposta técnica classificada em primeiro lugar não apenas suprimia etapas importantes previstas no Termo de Referência, como também falhou em comprovar plenamente a experiência operacional exigida. Essas questões, segundo a análise da corte, levantam sérias dúvidas sobre a conformidade da proposta com as normas ambientais e técnicas vigentes.
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No âmbito econômico, o tribunal identificou potenciais distorções na constituição do custo total do projeto. Há suspeitas de que a proposta vencedora tenha optado por subestimar despesas operacionais e de manutenção do empreendimento, o que poderia comprometer a viabilidade financeira da obra a longo prazo.
O conselheiro Alencar da Silveira Júnior também manifestou preocupação quanto ao interesse do governo de Minas Gerais em investir R$ 1 bilhão na Copasa, especialmente considerando que o Estado está em processo de privatização da companhia. “Isso, aos olhos do TCE-MG, não parece acertado”, avaliou. Ele ainda ressaltou que o valor da obra representa cerca de 10% do valor total da Copasa.
Reação da Copasa
A Copasa, em resposta à decisão do TCE-MG, afirmou por meio de nota que “recebe com naturalidade e respeito” a determinação e que está disposta a apresentar todos os esclarecimentos e documentos necessários para garantir a segurança jurídica, econômica e técnica do processo licitatório. A companhia se comprometeu a colaborar plenamente com o tribunal na análise das questões levantadas.
Com essa suspensão, a expectativa agora gira em torno dos próximos passos que a Copasa tomará e como o TCE-MG procederá com a investigação das irregularidades apontadas, refletindo a importância de garantir a transparência e a integridade em processos licitatórios dessa magnitude, especialmente em projetos públicos que envolvem investimentos significativos.
