A Trajetória de Adeilma Andrade na Gastronomia
A executiva Adeilma Andrade não trilhou o caminho na gastronomia por acaso, nem por um desejo tardio de se reinventar. Sua chegada ao setor gourmet é fruto de mais de 23 anos de experiência no mundo corporativo, onde ocupou postos de liderança em grandes corporações. Durante sua trajetória, lidou com metas desafiadoras, gestão de pessoas, pressão constante e estruturas organizacionais firmes.
Ao optar pelo empreendedorismo, Adeilma já havia vivenciado todos os níveis de decisão dentro das empresas. Em suas palavras: “O primeiro passo não foi abrir um negócio. Foi admitir que eu não aguentava mais aquela vida”. Para ela, a transição para o mundo do empreendedorismo surgiu após essa realização.
Atualmente, Adeilma ocupa o cargo de CEO do Complexo Casa Cascais e é sócia do Restaurante Aby, localizado na mesma casa, em São Paulo. Junto ao ator e empresário Ricardo Tozzi, ela gerencia esses empreendimentos com uma visão estratégica e focada.
Uma Visão Amplificada do Setor Gastronômico
A atuação de Adeilma no setor da gastronomia vai muito além da administração de um único restaurante. Ela lidera um portfólio diversificado que abrange negócios físicos, culturais e estratégicos, todos fundamentados em uma gestão eficaz, análise de mercado e vasta experiência.
Com uma carreira sólida em vendas complexas, marketing e gestão de equipes, Adeilma aplica esse conhecimento no segmento gastronômico. “Sabia que, se entrasse na gastronomia sem entender o negócio, eu não teria voz”, afirma. E completa: “Você pode cuidar do administrativo e do marketing, mas se não entende a operação, não será respeitada da mesma forma.”
Assim que se tornou sócia do restaurante, sua primeira ação foi se aprofundar no setor. Ela estudou custos, gestão de cardápio e a dinâmica da cozinha como um comércio, não como um mero lazer. Segundo ela, “restaurante não é hobby. Se você não sabe quanto custa um prato, o restaurante não anda.”
Estratégia e Planejamento no Restaurante Aby
A reestruturação do Aby seguiu essa lógica de entendimento do negócio. Durante o horário do almoço, o restaurante oferece um menu-executivo planejado, pensado para atender o público corporativo da região. À noite, o espaço se transforma em um local para eventos sociais e corporativos, como aniversários e casamentos, combinando gastronomia, música e uma ambientação cuidadosamente elaborada.
“O espaço pedia isso, e São Paulo tem demanda”, observa Adeilma. Contudo, ela destaca que a realização de eventos requer planejamento rigoroso, uma equipe bem treinada e pratos de qualidade. “Evento não é improviso”, enfatiza.
A programação cultural também é uma parte essencial da estratégia do restaurante. O Aby já recebeu apresentações de artistas renomados, como Gabriel Rossini e Ciça Marinho, que se apresentaram com repertórios que conectam a música ao ambiente gastronômico. “A música não é acessório. Ela precisa dialogar com o prato e com o ambiente”, explica a empresária.
Expansão e Identidade das Marcas
Esse olhar atento ao mercado influenciou também a expansão do Café do Santo, uma marca que surgiu dentro da Casa Cascais e hoje possui várias unidades em São Paulo, incluindo locais como Vila Olímpia, Berrini e Paraisópolis. O Café do Santo foi concebido como um espaço mais acessível e conectado ao cotidiano urbano, com um cardápio executivo atrativo e ambientes para encontros e socialização.
Cada nova unidade é baseada em uma análise cuidadosa do bairro, do fluxo de pessoas e do perfil de consumo, sempre preservando a identidade da marca sem repetir fórmulas. “Expandir não é copiar. É entender onde você está entrando”, resume Adeilma.
Desafios do Empreendedorismo Feminino
Apesar de sua longa carreira como executiva, Adeilma aponta que ainda há desafios relacionados à condição feminina nas decisões diárias. “Ainda existem situações em que você é avaliada por sua vestimenta, tom de voz e postura. Isso não acabou”, afirma.
Na área da gastronomia, essa realidade se manifesta na gestão das equipes, nas relações com fornecedores e na condução de ambientes emocionalmente desafiadores, como as cozinhas. “Se a equipe não está bem, isso reflete na qualidade do prato, e o cliente percebe”, alerta.
Adeilma também observa um padrão comum no empreendedorismo feminino: “A mulher se torna a mãe da equipe. Se você aceita esse papel uma vez, ele se torna regra”.
Iniciativas Além da Gastronomia
O empreendedorismo de Adeilma vai além dos restaurantes. Ela é fundadora do We Club, uma comunidade dedicada a mulheres que buscam gerar negócios, networking e fortalecimento profissional, sempre com o intuito de produzir um impacto econômico significativo.
Além disso, é sócia da Agência Conecta, onde presta consultoria estratégica e de branding, ajudando empresários a estruturar, crescer e reposicionar seus negócios em diferentes setores. Essa diversidade de iniciativas reforça seu papel como gestora e estrategista, além de empresária no segmento gastronômico.
Reconhecimento e Reflexão Pessoal
Essas contribuições resultaram no reconhecimento público de sua trajetória, culminando em uma homenagem no Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo, durante o Dia do Empreendedorismo Feminino. Nesse evento, mulheres que impactam positivamente a economia da cidade foram destacadas. “Empreender não é um movimento individual”, conclui. “Negócios fortes começam com pessoas fortalecidas.”
Adeilma não hesita em afirmar que empreender na gastronomia demanda presença constante, tomadas de decisões difíceis e muito mais trabalho do que glamour. Surpreendentemente, reconhece que seu entusiasmo cresceu: “Eu dizia que nunca entraria nesse setor. Paguei a língua.”
Para ela, o segredo está no equilíbrio. Saúde mental e família vêm em primeiro lugar. O trabalho deve agregar valor, não consumir sua vida. “Empreender é entender de gente, custo, produto e mercado. E estar presente todos os dias.”
