Novas Unidades para Assistência ao TEA
No cenário atual, é notável a movimentação das operadoras de planos de saúde em direção à criação de clínicas especializadas para atender crianças e adolescentes diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No último dia 10, a Care Plus, um dos principais nomes do setor, inaugurou sua primeira unidade voltada para esse público em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, com um investimento de R$ 10 milhões. O projeto está alinhado às diretrizes globais da Bupa Global, empresa de saúde britânica que opera em 190 países, que busca implementar o selo Mindplace no Brasil, focando especificamente no tratamento de TEA.
Além da clínica recém-inaugurada, a Care Plus planeja abrir mais cinco unidades Mindplace Kids nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo até o final do próximo ano, com um investimento total que pode alcançar R$ 50 milhões. Ricardo Salem, diretor de Saúde da operadora, destaca que cerca de 23,5% dos 144 mil usuários da empresa são crianças e adolescentes.
Demandas e Desafios no Atendimento
Os novos espaços oferecerão uma gama de serviços, incluindo psicoterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, coordenados pela Genial Care, uma rede especializada no cuidado de saúde infantil. A decisão da Care Plus em abrir clínicas especializadas reflete uma carência no atendimento de qualidade para esse público específico. “Entendemos que há uma demanda significativa por clínicas capacitadas para tratar crianças com TEA”, afirma Salem.
Além da alta demanda por atendimento, outro fator que motivou o investimento foi o aumento de fraudes e abusos em clínicas que atualmente estão credenciadas. Relatórios do setor indicam práticas ilegais como adulteração de recibos e cobrança por serviços não prestados, o que prejudica tanto os beneficiários quanto as operadoras.
Impacto do TEA na Cobertura dos Planos de Saúde
A faixa etária que historicamente gerava menos custos para os planos de saúde, ou seja, crianças e adolescentes, tem se tornado cada vez mais relevante no que diz respeito à demanda por atendimentos. Isso se deve ao aprimoramento dos diagnósticos de transtornos de desenvolvimento e a mudanças nas regulamentações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que, em 2022, eliminou o limite para sessões de terapia psicológica e outras especialidades. Com isso, houve um aumento significativo de usuários entre 0 e 18 anos que demandam cobertura de saúde.
Essa mudança de cenário também influencia as decisões financeiras das operadoras, como pontua Salem: “A clínica própria nos permite um atendimento mais integrado, o que acreditamos que resultará em melhores desfechos clínicos. Esperamos que o custo assistencial para uma criança sob nossa supervisão seja menor do que quando ela opta por atendimento livre ou reembolso.”
Investimentos de Outras Operadoras
Grandes operadoras, como a Hapvida, também estão ampliando seus investimentos em clínicas especializadas. Nos últimos dois anos, a Hapvida inaugurou 42 unidades voltadas para tratamento de TEA, atendendo cerca de 35 mil crianças, com um investimento total de R$ 159 milhões. Essa estratégia possibilita um acompanhamento mais consistente da jornada dos pacientes, além de garantir maior previsibilidade nos custos e padronização nos cuidados.
A Amil, que possui atualmente 14,1 mil beneficiários no espectro autista, também tem visto um crescimento significativo no número de atendimentos, com um aumento de 16,5% em relação aos três anos anteriores, quando 12,1 mil beneficiários eram identificados. Esses números evidenciam a crescente preocupação do setor em proporcionar atendimento especializado e de qualidade para a população infantojuvenil.
