Minas Gerais no foco da transição energética e tecnologia mineral
minerais críticos ganharam destaque em uma reunião realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte. O encontro reuniu representantes da indústria e parceiros internacionais para discutir desde a pesquisa e processamento mineral até investimentos, inovação e integração das cadeias produtivas. A participação de Minas Gerais foi ressaltada como estratégica, assim como as possibilidades de cooperação com países como China, Canadá, Estados Unidos, Japão, Chile e Finlândia.
Desafios para o setor mineral brasileiro
Promovida em 18 de agosto, a reunião conjunta dos Conselhos de Relações Internacionais, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e da Câmara de Metalurgia, Siderurgia e mineração da FIEMG abordou um dos maiores desafios do setor mineral nacional: transformar os recursos naturais disponíveis em desenvolvimento industrial, tecnológico e econômico com maior valor agregado. O presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello, reforçou que o Brasil precisa intensificar a pesquisa mineral e avançar na transformação desses recursos para fortalecer a economia e a tecnologia locais.
Mello também destacou o crescimento das discussões sobre lítio e terras raras, além dos avanços da Política Nacional de Minerais Críticos. Ele enfatizou a necessidade de aproximação entre indústria, governo, academia e parceiros internacionais para lidar com a complexidade dessa agenda.
Valor agregado e tecnologia na cadeia de terras raras
O coordenador do CIT SENAI ITR, André Luís Pimenta, apresentou oportunidades para o Brasil e ressaltou o potencial de Minas Gerais para ir além da extração mineral. A cadeia produtiva de terras raras pode agregar mais valor conforme avança do beneficiamento até etapas como separação, refino e produção de componentes complexos, como ligas e ímãs permanentes.
Nesse processo, a tecnologia é fundamental. O acesso ao recurso natural é apenas o primeiro passo, seguido por atividades que envolvem conhecimento científico, capacidade industrial e inovação aplicada aos setores de alta tecnologia.
Cooperação internacional estratégica
Durante o evento, o cônsul comercial da China no Rio de Janeiro, Jing Yanhui, destacou a importância dos minerais críticos para energias renováveis, materiais avançados e indústrias tecnológicas. Ele apontou complementaridades entre Brasil e China e defendeu maior cooperação para fortalecer as cadeias produtivas e a indústria verde.
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De forma semelhante, a cônsul comercial do Canadá, Helen Belgrave, ressaltou o histórico de investimentos canadenses no Brasil e a possibilidade de novas parcerias em exploração, processamento e inovação industrial, ampliando o desenvolvimento mineral para além da extração.
O conselheiro econômico da Embaixada dos Estados Unidos, Matthew Lowe, também apresentou oportunidades para o Brasil avançar em processamento, refino e produção de bens com maior valor agregado, fortalecendo a cadeia industrial mineral e ampliando a participação em mercados ligados à tecnologia e à transição energética.
Potencial e competitividade do Japão e proposta sul-americana
Wilson Nélio Brumer, cônsul honorário do Japão em Belo Horizonte, destacou que o aproveitamento do nióbio e das terras raras depende da competitividade brasileira e da integração dos elos produtivos. O desenvolvimento tecnológico e industrial é essencial para transformar reservas minerais em produtos de maior valor econômico.
Por sua vez, Ronald Monsalve Helfant, da Comissão Chilena do Cobre (Cochilco), sugeriu uma agenda industrial sul-americana para cobre e lítio, enfatizando a possibilidade de uma oferta regional mais diversificada, sustentável e resiliente, com participação de universidades, empresas e centros de pesquisa.
Experiência finlandesa no desenvolvimento sustentável do lítio
A cônsul honorária da Finlândia em Minas Gerais, Patrícia Coutinho, apresentou um projeto que integra mineração e refino químico para baterias, destacando a eficiência e sustentabilidade ambiental. O método finlandês reduz em até 60% o consumo de água e reutiliza recursos hídricos, servindo como modelo para o desenvolvimento do Vale do Lítio, em Minas Gerais.
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Impactos do “Tarifaço” dos Estados Unidos na economia mineira
O presidente do Conselho de Relações Internacionais da FIEMG, Alexandre Mello, comentou sobre o impacto das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, que afetam setores como máquinas, materiais elétricos, rochas ornamentais e produtos químicos em Minas Gerais. Embora alguns produtos tenham sido preservados, o governo brasileiro já avalia medidas de reciprocidade econômica e mantém negociações diplomáticas para minimizar os efeitos.
Minas Gerais busca consolidar tecnologia e inovação mineral
A reunião evidenciou que a discussão sobre minerais críticos ultrapassa a simples disponibilidade de reservas. Lítio, terras raras, cobre e nióbio fazem parte de cadeias que exigem pesquisa, processamento, refino, tecnologia, indústria e investimento.
Minas Gerais enfrenta o desafio de usar sua tradição no setor mineral para avançar em valor agregado, ampliando capacidade tecnológica, fortalecendo empresas e centros de pesquisa, e criando condições para desenvolver novas cadeias produtivas no estado.
A presença de representantes da China, Canadá, Estados Unidos, Japão, Chile e Finlândia reforça o caráter global dessa agenda, com experiências e cooperações que podem contribuir para o futuro da indústria mineral brasileira.
Com informações da FIEMG.
