Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Ambiental
A Polícia Federal (PF) de Minas Gerais está prestes a dar um passo significativo na luta contra a exploração ilegal de produtos minerais. Após expor esquemas bilionários relacionados à atividade irregular, que envolveram até servidores públicos de órgãos responsáveis pela fiscalização, a PF agora se prepara para implementar um sistema de rastreamento de minerais extraídos de forma ilícita. A nova iniciativa, denominada Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) Ambiental, reunirá autoridades federais e estaduais, com um investimento previsto de pelo menos R$ 36 milhões. A tecnologia a ser utilizada é inovadora, permitindo a identificação de um “DNA” dos minerais, o que ajudará a impedir que produtos de extrações ilegais sejam vendidos como se fossem legítimos.
Minas Gerais já conta com a Ficco, que desde 2014 reúne diversas forças policiais na investigação de crimes graves. A implementação da Ficco Ambiental é parte do “Projeto Minas”, uma estratégia da PF que foi anunciada na última quinta-feira (26/3) pelo superintendente regional Richard Murad Macedo. O projeto visa integrar órgãos como a Agência Nacional de Mineração (ANM), o Ibama, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMbio) e a Polícia Militar de Meio Ambiente, entre outros, para fortalecer a proteção ambiental e o combate ao crime relacionado à mineração.
Histórico de Crimes Ambientais e Impacto Cultural
O superintendente da PF ressaltou a importância da nova unidade, citando casos recentes de destruição de sítios arqueológicos. Ele exemplificou o caso da Patrimônio Mineração, que em março de 2025, destruiu uma caverna na comunidade de Botafogo, em Ouro Preto. “Se já tivéssemos a Ficco Ambiental, poderíamos ter evitado essa tragédia”, comentou Macedo, referindo-se ao impacto cultural e ambiental que a mineração ilegal traz.
Operações passadas, como “Rejeito” e “Parcours”, têm sido essenciais na luta contra a mineração descontrolada, especialmente na Serra do Curral em Belo Horizonte. Macedo explicou que a Delegacia de Meio Ambiente (DMA) da PF, que é a maior do país dedicada a crimes ambientais, teve um crescimento significativo em recursos e operações. “A DMA de Minas é maior do que a do Amazonas”, destacou.
Laboratório de Rastreabilidade Mineral: Um Marco no Combate à Mineração Ilegal
Richard Murad Macedo também informou sobre a criação do Laboratório de Rastreabilidade Mineral, o primeiro desse tipo no Brasil, que será crucial para identificar a origem dos produtos minerados. O laboratório é fruto de uma colaboração com o Ministério Público Federal (MPF) e contará com recursos provenientes de operações anteriores contra crimes ambientais.
“Com um investimento de R$ 16 milhões, poderemos rastrear o minério de forma mais precisa. Embora não possamos identificar a origem exata de materiais como ouro e diamantes, conseguiremos determinar de onde eles não vieram. Com a análise molecular das amostras, poderemos questionar a autenticidade de documentos apresentados, o que já servirá como evidência em processos judiciários”, explicou Macedo.
Financiamento e Futuro da Iniciativa
Além dos recursos obtidos com operações contra crimes ambientais, a Ficco Ambiental está buscando um investimento adicional de R$ 20 milhões do Comitê Gestor do Fundo do Rio Doce. Macedo afirmou que já foi aprovada a solicitação e que estão nos últimos ajustes para transferir esses valores à PF de Minas, o que permitirá a modernização e ampliação das capacidades tecnológicas da corporação.
A proposta é que essa nova estrutura e os instrumentos de rastreamento consolidem a atuação da Polícia Federal em Minas Gerais, proporcionando ferramentas mais eficazes no combate à mineração ilegal e na proteção do patrimônio ambiental e cultural do estado.
