Condenações e Possibilidade de Candidatura
O ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ainda pode se lançar como candidato nas eleições de 2026, apesar de enfrentar condenações por improbidade administrativa. Recentemente, ele foi condenado em uma ação por nepotismo e, em outra, por descumprir uma ordem judicial que determinava a reabertura de vias em um condomínio no bairro Mangabeiras. No entanto, até o momento, essas condenações não acarretaram um impedimento automático para sua candidatura, segundo o advogado especializado em direito eleitoral, Alberto Rollo.
É importante destacar que, de acordo com a Lei da Ficha Limpa, a inelegibilidade só se aplica a condenações que atendam a critérios específicos, como decisão de um órgão colegiado, dolo (intenção) e enriquecimento ilícito. Esses requisitos ainda não se aplicam aos casos de Kalil, o que permite que ele possa oficializar sua candidatura em agosto, após convenções partidárias e registro na Justiça Eleitoral.
Critérios que Levam à Inelegibilidade
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A legislação brasileira estabelece uma série de condições que devem ser cumpridas para que um político seja considerado inelegível. Entre os principais critérios, estão: a existência de uma decisão condenatória de um órgão colegiado; a prática de um ato doloso; a demonstração de lesão ao patrimônio público; e o enriquecimento ilícito. Caso a inelegibilidade se confirme, ela se estenderá desde a condenação até oito anos após o cumprimento da pena, caso haja uma condenação definitiva.
No caso de Kalil, as condenações atuais não satisfazem estas exigências. A condenação por nepotismo, por exemplo, envolve a nomeação de Marcelo Amarante Guimarães, que também foi condenado, para um cargo na Fundação de Parques Municipais durante o mandato de Kalil, em outubro de 2020. Ambos receberam multa e foram proibidos de contratar com o poder público, mas sem que seus direitos políticos fossem suspensos.
Detalhes das Condenações
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O caso do nepotismo, em particular, levantou questionamentos. O Ministério Público argumentou que a nomeação de Marcelo Amarante, irmão de Fernanda Amarante Guimarães — que trabalhou como assessora jurídica no gabinete de Kalil — configurava nepotismo. Fernandes e Kalil tiveram um relacionamento em anos anteriores, mas a defesa de Kalil sustentou que ambos atuavam em esferas administrativas distintas e que o histórico amoroso não teria relevância jurídica no caso.
Kalil, por sua vez, classificou a decisão como uma “aberração” e se posicionou na expectativa de que a sentença seja revertida. De acordo com Alberto Rollo, a falta de dolo e a não suspensão dos direitos políticos significam que não existe impacto eleitoral imediato devido a essa condenação.
Decisão sobre o Fechamento de Vias
Na outra condenação, referente ao fechamento de vias de acesso ao condomínio de luxo em Mangabeiras, Kalil foi condenado em primeira instância por descumprir uma ordem judicial que determinava a reabertura das ruas. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais qualificou a ação como uma violação dos interesses públicos, mas não identificou enriquecimento ilícito, que é um dos requisitos para inelegibilidade.
O ex-prefeito defende que essa condenação, assim como a anterior, possui motivação política e acredita que será anulada. Contudo, Rollo ressalta que a situação pode mudar com a análise da Justiça em segunda instância. Se a condenação for confirmada por um colegiado, Kalil poderá enfrentar inelegibilidade, o que afetaria significativamente suas chances nas próximas eleições.
