Desafios e Oportunidades no Cenário de Inovação da Indústria na Região Sudeste
O Sudeste, reconhecido como o centro da inovação no Brasil, destaca-se em pesquisa e desenvolvimento (P&D). No entanto, a região não está imune aos desafios enfrentados por outras áreas do país, como a falta de profissionais qualificados e a burocracia que dificulta o acesso a financiamentos. Essa análise foi apresentada por Jefferson Gomes, diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante a Jornada Nacional de Inovação da Indústria, realizada em Belo Horizonte, na última quinta-feira (26).
De acordo com Gomes, a região possui um robusto conjunto de instrumentos financeiros e técnicos voltados à inovação. Apesar de a infraestrutura e as ferramentas disponíveis não ficarem atrás de outros países, ainda é difícil alavancar o potencial inovador. “Nosso objetivo, com a Jornada, foi percorrer o Brasil e entender quais são os principais obstáculos e as estratégias de inovação que as empresas estão adotando. Embora muitos dos desafios sejam comuns, cada região tem características únicas em termos de pessoas e infraestrutura”, destacou.
O setor de transporte e mobilidade é um exemplo do potencial da região, que inclui empresas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. Esta área também reflete a capacidade do Sudeste em liderar a transição energética, já que a região é responsável por quase metade da produção de etanol e domina a fabricação de veículos híbridos e elétricos. Ademais, as capacidades em supercomputação, redes 5G, biotecnologia e saúde são também notáveis.
Os dados disponíveis ressaltam a densidade tecnológica e a maturidade do ecossistema de inovação no Sudeste, que é referência em toda a América Latina. A região é responsável por:
- Retenção de 87% do investimento privado em P&D;
- Concentração de 86,8% dos investimentos por meio da Lei do Bem;
- Abrigo de 60,2% das startups, incluindo 22 dos 24 unicórnios do Brasil;
- Sede de 110 (68%) dos 162 data centers em operação no país;
- Infraestrutura portuária robusta, com o Porto de Santos movimentando 30% do comércio nacional;
- Responsável por 48,5% da produção nacional de etanol;
- Liderança na indústria automotiva com previsão de produção de 2,64 milhões de veículos em 2025, com ênfase em modelos híbridos.
Apesar dos destaques, as empresas da região enfrentam desafios significativos. A escassez de capital humano qualificado é apontada por 29,4% das empresas como uma barreira. Outros problemas incluem a necessidade de redução da burocracia em financiamento (23,8%), a insegurança jurídica e instabilidade regulatória (15,2%), a concorrência desleal em nível global (10,8%) e a resistência cultural à inovação (20,8%).
Flávio Roscoe, presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), enfatizou a importância da inovação para aumentar a produtividade e melhorar os resultados das empresas. “As organizações devem estar atentas às oportunidades que surgem nesse cenário”, afirmou.
O evento também contou com a presença de líderes do setor, como Marcelo Souza e Silva, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae MG; Antônio Carlos Vilela, vice-presidente da FIRJAN; Paulo Renato, gerente de Inovação do Sebrae Nacional; e Mariana de Oliveira Santos, coordenadora-geral de Instrumentos de Apoio à Inovação do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Nos painéis seguintes, representantes de empresas como Cerâmica Brasileira, Nanum Nanotecnologia, Bagueteria Francesa, Embrapii e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) discutiram casos de sucesso e instrumentos de fomento à inovação.
Uma Caravana pelo Brasil
A Jornada Nacional de Inovação da Indústria é um evento itinerante que visa discutir soluções e desafios da inovação na indústria do Brasil, percorrendo diferentes regiões. A iniciativa, realizada pela CNI e Sebrae, conta com o apoio das federações das indústrias estaduais e é patrocinada pela Finep e Embrapii.
Iniciada em julho de 2025, a caravana já passou por 48 cidades em todas as cinco regiões do país, incluindo sete cidades no Sudeste. O próximo encontro, que fechará a rodada de discussões, ocorrerá em Belém (PA) nos dias 11 e 12 de março. Os resultados e as propostas serão debatidos no Congresso de Inovação da Indústria, previsto para acontecer em São Paulo nos dias 25 e 26 de março.
