Problemas Estruturais e de Saúde no Edifício Maletta
Moradores, proprietários e lojistas do Edifício Arcângelo Maletta, um ícone localizado na Avenida Augusto de Lima, no coração de Belo Horizonte, têm manifestado suas preocupações em relação à gestão do condomínio. Conforme relatos obtidos pela reportagem da Rádio Itatiaia, o síndico Amauri Reis, no cargo há mais de 15 anos, mantém sua posição utilizando centenas de procurações — documentos que o autorizam a atuar em nome de outros condôminos, incluindo até mesmo aqueles que já faleceram.
Neste cenário, muitos moradores afirmam que a falta de presença do síndico se traduz em uma administração ineficaz, onde não há espaço para que os condôminos participem das decisões. Paula Marques, uma residente do 16º andar, descreve a situação como alarmante, relatando problemas com a higiene e a inércia do síndico em lidar com reclamações. “Fui surpreendida um dia com um escorpião dentro do meu banheiro, na minha saboneteira. Entendo que há um problema grave de saúde com uma infestação absurda de baratas. Quando reclamamos, o síndico responde: ‘O que eu posso fazer se eles estão no prédio?’. Para você ter uma ideia, eu só o vi duas vezes durante todo esse tempo”, conta Paula.
Insatisfação com a Gestão do Síndico
Além da presença de escorpiões, Paula levanta um ponto crucial sobre a falta de transparência nas contas do condomínio. “O que mais nos preocupa são as procurações. Uma única pessoa tem cerca de 200 procurações que costumam garantir a eleição do síndico, mesmo diante da insatisfação dos moradores. Essa pessoa, que é lojista e não reside no prédio, acaba nos prejudicando. As reclamações sobre taxas e cobranças aparecem como despesas extraordinárias, sem que haja aviso prévio, orçamentos ou discussões prévias. A prestação de contas é vaga, e o boleto do condomínio simplesmente traz a descrição ‘taxa condominial’, no valor de R$ 450, sem explicações adicionais.”
Virgínia do Val, que reside no Maletta há 45 anos, também expressa sua indignação em relação ao abandono das áreas comuns e a negligência com problemas estruturais. “Agora, o fundo do caixa está escasso, e disseram que teremos que arcar com os custos das manutenções. Eu solicitei um orçamento para limpar o fosso, que está em estado deplorável e nunca foi limpo. É um serviço simples, mas há escorpiões aparecendo em vários andares, e o local nunca foi limpo. O prédio apresenta infiltrações sérias e problemas estruturais que se agravam a cada chuva”, relata.
A Perspectiva dos Lojistas
A situação do Edifício Maletta não apenas afeta os moradores, mas também os lojistas que atuam no local. Vanessa Cardoso, uma das comerciantes, destaca que a falta de manutenção e a ausência do síndico comprometem os negócios. “Nunca vi o síndico circular pelo prédio. As contas para a manutenção são altas, mas o prédio está em péssimas condições. Estou aqui há três anos e nunca o vi passar pela porta da minha loja. Apesar do prédio arrecadar bem, a situação interna é crítica”, afirma.
Vanessa lembra da importância histórica do Edifício Maletta, que foi o primeiro shopping de Belo Horizonte. “Temos uma rica história, mas a primeira escada rolante de Minas não funciona mais. O comércio local está sofrendo; eu precisei fechar minha loja física por não conseguir negociar melhorias”, explica. “Pagamos cerca de R$ 60 mil apenas com seguro de elevador e manutenção, mesmo sem o elevador funcionando. A segurança é precária, e falta iluminação, o que torna o local vulnerável.”
Outra comerciante, que preferiu não se identificar, reforça a necessidade de melhorias estruturais e de sinalização. “Enquanto lojista, sinto falta de uma estrutura melhor: pintura, sinalização e uma definição clara do comércio. O Maletta atrai muitos turistas, mas eles não sabem o que existe aqui dentro. Pedimos há muito tempo melhorias estéticas e sinalização, especialmente nos corredores.”
No dia da visita da reportagem, o síndico Amauri Reis foi encontrado, mas se negou a conceder uma entrevista. Ao ser questionado sobre as queixas levantadas, afirmou que seu expediente já havia encerrado, alegou desconhecer determinados problemas e sugeriu que as reclamações fossem encaminhadas pelos canais administrativos do condomínio.
