Queda na inflação de Belo Horizonte em agosto
Belo Horizonte encerrou agosto com uma deflação de 0,16%, segundo dados do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH) divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). Essa redução representa uma desaceleração em relação à quadrissemana anterior, que registrou alta de 0,17%, e também ao mesmo período de julho, quando o índice estava em 0,41%.
Em 2026, o IPCA-BH acumula alta de 3,67%, enquanto nos últimos 12 meses o índice chega a 4,21%. O Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH), que considera famílias com renda entre um e cinco salários mínimos, também apresentou queda de 0,04% na quarta quadrissemana de agosto, desacelerando frente à quadrissemana anterior (0,11%) e ao mesmo período de julho (0,45%). No acumulado do ano, o IPCR-BH subiu 3,97%, e nos últimos 12 meses, 3,70%.
Principais influências no índice de preços
Entre os produtos que mais pressionaram o IPCA-BH para cima em agosto estão o cigarro em maço, com alta de 19,00%, condomínio residencial (1,58%), festas de aniversário (5,41%), vidro (13,09%) e lanches (2,73%). Por outro lado, os maiores recuos vieram das viagens (-7,94%), refeições fora de casa (-1,40%), tapetes (-15,69%), passagens aéreas (-19,99%), automóveis usados (-3,01%) e alimentos in natura (-1,89%).
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De acordo com Eduardo Antunes, gerente de pesquisa da Fundação Ipead, a retração nos preços observada em agosto não é uma novidade para o mês, que historicamente registra deflação nos últimos anos. “Os meses de agosto de 2022, 2023, 2024 e 2025 também tiveram queda, e 2026 não foi diferente. A queda nos preços das excursões, que recuaram 7,94%, foi o principal fator, seguida pela redução nos valores de refeições fora de casa e alimentos in natura”, explica Antunes.
Ele destaca ainda que a queda expressiva nos preços das viagens contrasta com o comportamento de julho, quando esse segmento foi um dos principais responsáveis pela alta da inflação. “Esse movimento revela como a variação de preços de produtos relevantes pode influenciar o índice de um mês para o outro, mostrando a importância desses itens na composição da inflação”, acrescenta o pesquisador.
Desaceleração contínua desde junho
O IPCA-BH vem apresentando desaceleração desde junho, quando a alta foi de 1,29%. Em julho, o índice já havia reduzido para 0,41%, e agora registra deflação de 0,16%. Apesar dessa aparente estabilidade, Eduardo Antunes ressalta que é difícil afirmar que o índice varia dentro de uma margem fixa, devido à influência constante de diferentes produtos e segmentos.
“A oscilação mensal é mais explicada pela sazonalidade dos produtos do que por uma variação dentro de uma margem definida. Mesmo com variações moderadas, o impacto no bolso das pessoas é significativo, pois produtos essenciais continuam afetando fortemente o orçamento familiar”, conclui o gerente de pesquisa da Fundação Ipead.
