Alta do etanol em Belo Horizonte chama atenção
O preço médio do etanol voltou a registrar alta na última semana em Belo Horizonte, conforme dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No período de 21 a 27 de junho, a capital mineira viu o litro do biocombustível subir 2,2%, passando de R$ 3,92 para R$ 4,01, a maior alta entre os combustíveis analisados. A gasolina comum também apresentou aumento, de 1,49%, com o preço médio subindo de R$ 6,02 para R$ 6,11 no mesmo intervalo.
Comparativo com Minas Gerais e fatores locais
Em Minas Gerais, o cenário foi semelhante, porém com variações menores: o etanol teve alta de 0,48% e a gasolina comum aumentou 1,41% na semana comparada. O economista e professor do UniBH, Fernando Sette Júnior, destaca que a elevação expressiva em Belo Horizonte indica a influência de fatores específicos da Região Metropolitana, como ajustes de preços das distribuidoras e recomposição das margens de revenda. Segundo ele, a complexidade da rede logística da capital pode amplificar as mudanças no mercado atacadista, refletindo com mais intensidade nos preços ao consumidor.
Sette Júnior também aponta a expectativa sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina como possível influência na alta. Embora a medida não tenha sido aprovada na última semana, a perspectiva de maior demanda futura pode ter levado produtores, distribuidoras e revendedores a antecipar ajustes nos preços. Ele ressalta, porém, que se esta fosse a principal causa, a alta deveria ser uniforme em todo o Estado, o que não ocorreu.
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Outros fatores impactam os preços dos combustíveis
O professor Alisson Batista, da Estácio BH, observa que o aumento do etanol resulta de uma combinação de fatores, incluindo a especulação relacionada ao fim da guerra e os reajustes contidos pelo governo na cadeia de combustíveis. Muitos postos, com preços represados, aproveitaram o momento para ajustar suas margens, além do aumento da demanda pelo biocombustível. Quanto à gasolina, Fernando Sette Júnior atribui o aumento mais aos repasses de alta do petróleo no mercado internacional do que às discussões regulatórias.
Redução no preço do diesel em Belo Horizonte e Minas Gerais
Em contrapartida, o diesel S10 apresentou queda de 0,28% tanto em Belo Horizonte quanto no Estado, com o preço médio do litro caindo de R$ 6,93 para R$ 6,91 na capital e de R$ 6,94 para R$ 6,92 em Minas Gerais. Para o economista, apesar da redução, o movimento ainda é tímido para indicar uma reversão definitiva da tendência de alta. Variações desse porte podem refletir ajustes comerciais, maior concorrência entre postos ou recomposição de margens após aumentos anteriores.
O fato do recuo ser idêntico em Belo Horizonte e no Estado sugere um movimento de mercado mais amplo, e não um fenômeno local. Apesar da possibilidade de estabilização diante da diminuição das tensões geopolíticas, Sette Júnior destaca que ainda é cedo para confirmar uma queda consolidada nos preços.
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Alisson Batista reforça que o diesel é diretamente influenciado pela crise no Oriente Médio e avalia que o recente acordo traz uma tendência de estabilidade nos valores, devido à redução da pressão internacional, melhor organização logística e acomodação do mercado interno. Ele ainda acrescenta que, assim como o diesel foi o primeiro a subir, tende a ser o primeiro a apresentar redução e acomodação dos preços, já que sofre maior correlação com o preço da commodity.
Comparação mensal mostra leves quedas em alguns combustíveis
Na comparação entre o final de maio e o final de junho, o etanol teve uma leve queda no preço médio do litro em Belo Horizonte, de R$ 4,02 para R$ 4,01, enquanto em Minas Gerais a redução foi mais significativa, de R$ 4,23 para R$ 4,15, representando 1,92% a menos. Já a gasolina manteve estabilidade no Estado, com média de R$ 6,29, e apresentou uma pequena redução de 0,32% na capital, passando de R$ 6,13 para R$ 6,11.
