Inflação em Belo Horizonte apresenta desaceleração em julho
A inflação na capital mineira teve um crescimento moderado em julho, conforme apontou levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Fundação Ipead). Apesar do aumento de 0,41% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH) no mês, a taxa indica uma desaceleração em comparação à alta de 1,29% registrada em junho e à última semana de julho, que teve 0,43%.
Indicadores refletem comportamento dos preços para diferentes faixas de renda
O Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH), que acompanha as famílias com renda de até cinco salários mínimos, também registrou desaceleração, com alta de 0,45% em julho, frente a 1,16% no mês anterior. No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-BH avançou 4,14%, enquanto o IPCR-BH somou 3,85%, reforçando a tendência de desaceleração, ainda que a inflação permaneça em patamar elevado.
Alimentação é destaque na desaceleração da inflação
O principal fator que contribuiu para essa desaceleração foi o grupo de alimentação e bebidas, que teve aumento de apenas 0,17% em julho. Dentro desse segmento, o subgrupo alimentação fora do domicílio cresceu 0,18%. A maior parte dos alimentos apresentou queda nos preços, especialmente os alimentos in natura, como carnes e vegetais, que caíram 1,87%. Já bebidas em bares e restaurantes e alimentos industrializados tiveram altas de 4,79% e 1,03%, respectivamente.
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Produtos com maiores variações de preço
Entre os itens que sofreram os maiores aumentos estão pneu e câmara de ar, com alta de 19,07%, passagem aérea, que subiu 18,58%, e cerveja em bares, que teve 7,69% de aumento. Por outro lado, os produtos com queda mais acentuada foram batata inglesa (-18,42%), joias (-3,51%) e pão francês (-2,47%).
Contribuições para o índice de inflação
Os principais itens que mais influenciaram o aumento da inflação foram excursões (0,12 pontos percentuais), condomínio residencial (0,05 pontos percentuais) e cerveja em bares (0,04 pontos percentuais). Em contrapartida, os maiores impactos negativos vieram de refeições fora de casa (-0,06 pontos percentuais), batata inglesa (-0,03 pontos percentuais) e mão de obra para serviços como pedreiro, marceneiro e eletricista (-0,03 pontos percentuais).
Estabilidade dos preços da alimentação ajuda a conter a inflação
Segundo Eduardo Antunes, gerente de pesquisa do Ipead, o grupo de alimentação tem apresentado estabilidade nos preços nos últimos meses, o que ajuda a evitar um aumento maior da inflação na capital mineira. “A alimentação tem uma influência importante desde meados do ano passado. Apesar de variações pontuais em alguns produtos, principalmente sazonais, ela não tem pressionado o IPCA, ajudando a manter o índice mais controlado”, explica Antunes.
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Contexto atual e desafios para o controle da inflação
Embora o acumulado de 4,14% no ano ultrapasse a meta de inflação do Banco Central, que é de 3% ao ano, o cenário não indica um descontrole. Conforme o gerente de pesquisa do Ipead, a inflação brasileira ainda é alta e apresenta desafios para o Banco Central, que utiliza a taxa Selic para tentar conter a alta dos preços. Segundo Antunes, o país já passou por momentos de hiperinflação, mas atualmente o quadro está mais estável, embora a inflação continue corroendo o poder de compra dos salários.
Impactos da inflação sobre o poder de compra
O economista destaca que mesmo com a inflação relativamente mais baixa, os aumentos de preços, mesmo que esporádicos, afetam o salário dos trabalhadores, que precisam ajustar seus orçamentos diante das mudanças nos custos dos produtos. “Esses reajustes provocam uma readequação constante das famílias para lidar com o efeito da inflação sobre o poder de compra”, conclui Antunes.
