Mudanças no Mercado de Climatização Brasileiro
O setor de climatização no Brasil está passando por um momento decisivo. Com inovações tecnológicas, aumento da eficiência energética e mudanças nas preferências dos consumidores, o ar-condicionado se tornou um item essencial na vida diária de residências, empresas e indústrias.
No podcast Itatiaia Negócios Cast, o presidente da Daikin Brasil, Roberto Yi, discorre sobre a evolução do setor nos últimos anos, destacando os desafios enfrentados na produção local, o crescimento acelerado do mercado e a relevância da tecnologia inverter na redução do consumo de energia.
Durante a conversa, Yi também toca em temas como a qualidade do ar, a regulamentação do setor, as estratégias de liderança global e as complexidades de equilibrar inovação, eficiência e custo-benefício no mercado nacional.
Entrevista Reveladora sobre a Daikin e o Setor
Leonardo Bortoletto: Olá, eu sou Leonardo Bortoletto e você está ouvindo o Itatiaia Negócios Cast, um espaço criado para descomplicar o universo dos negócios. Hoje, conversamos com Roberto Yi, presidente da Daikin no Brasil. Roberto, é um prazer tê-lo aqui.
Roberto Yi: O prazer é meu, Leonardo. Agradeço o convite. Acabei de voltar de São Paulo e é ótimo iniciar o dia aqui.
Leonardo Bortoletto: Você é sempre bem-vindo. Obrigado por escolher a Itatiaia para se conectar com o mercado mineiro.
Roberto Yi: A Itatiaia tem uma grande audiência e hoje temos um evento de inauguração. Então, nada melhor que aproveitar a oportunidade para me apresentar e falar sobre nossa empresa.
Leonardo Bortoletto: Para quem ainda não conhece a Daikin, qual é a sua história e a razão da sua presença em Minas Gerais?
Roberto Yi: Somos uma empresa japonesa com um século de história e focamos na fabricação de sistemas de climatização para ambientes residenciais, comerciais e industriais. Atualmente, somos líderes globais em faturamento no setor. Estou em Belo Horizonte para inaugurar um centro de treinamento. O ar-condicionado vai além de um simples aparelho, ele precisa ser instalado corretamente. Esse centro irá capacitar técnicos da região, garantindo que o serviço atenda às expectativas dos clientes.
Qualidade e Evolução do Produto
Leonardo Bortoletto: Vamos falar sobre sua trajetória até a Daikin e como a companhia se posiciona no mercado.
Roberto Yi: Apesar de ser fluente em português, sou coreano e cheguei ao Brasil aos 7 anos. Após a universidade, passei 20 anos trabalhando em uma multinacional coreana no setor de climatização, viajando pela América Latina. A Daikin me convidou a fazer parte da sua equipe para ajudar na expansão da marca no Brasil.
Leonardo Bortoletto: Como a Daikin se destaca globalmente?
Roberto Yi: A Daikin é uma das maiores multinacionais japonesas e está presente em mercados fortes na Europa, Ásia, China e Estados Unidos. No Brasil, estamos há 15 anos e nosso foco sempre foi comercial e industrial, mas também estamos expandindo nossa presença no mercado residencial.
Leonardo Bortoletto: Quem são seus principais consumidores?
Roberto Yi: Atendemos a diversos segmentos. Fabricamos produtos residenciais em Manaus, enquanto os modelos comerciais e industriais vêm de unidades da Daikin no Japão e na Itália. O mercado de ar-condicionado no Brasil, com mais de 6 milhões de unidades vendidas anualmente, ainda tem um potencial enorme. Atualmente, apenas 20% da população possui ar-condicionado, mas essa penetração era inferior a 5% há 15 anos.
Impacto da Tecnologia e do Comportamento do Consumidor
Leonardo Bortoletto: O que impulsionou esse crescimento?
Roberto Yi: O foco no conforto tem sido essencial. No passado, os aparelhos de janela eram barulhentos e pouco eficientes. Com o advento dos modelos split, as pessoas passaram a notar a diferença na produtividade e qualidade de vida em ambientes climatizados.
Leonardo Bortoletto: E a tecnologia inverter fez uma grande diferença, certo?
Roberto Yi: Sem dúvida. A tecnologia inverter permite que o compressor opere em frequências variáveis, evitando picos de consumo de energia. A Daikin foi pioneira nesse segmento.
Leonardo Bortoletto: É um desafio equilibrar tecnologia com preços acessíveis?
Roberto Yi: A tecnologia deve oferecer benefícios realistas ao consumidor, como eficiência energética e retorno financeiro. Em geral, conseguimos demonstrar que o investimento em ar-condicionado pode ser recuperado em dois ou três anos pela economia gerada.
Leonardo Bortoletto: E quanto à qualidade do ar?
Roberto Yi: Hoje, essa preocupação é maior do que nunca. Investimos em filtros de alta qualidade, renovação do ar e tecnologias específicas para ambientes mais saudáveis. A pandemia destacou ainda mais a importância desse tema.
Futuro Promissor para o Setor de Climatização
Leonardo Bortoletto: Produzir no Brasil é competitivo?
Roberto Yi: Sim, existem desafios, especialmente em relação à cadeia de fornecedores e componentes importados, mas acredito que ainda podemos aumentar a competitividade e a qualidade da produção no país.
Leonardo Bortoletto: Quais são as expectativas para o setor nos próximos anos?
Roberto Yi: Esperamos a entrada de novas marcas internacionais e um crescimento robusto do mercado brasileiro, com potencial para atingir 30 milhões de aparelhos vendidos anualmente. Além disso, as exigências de eficiência energética deverão aumentar.
Leonardo Bortoletto: Vamos ao Raio X. Tecnologia ou custo-benefício?
Roberto Yi: Ambas. A tecnologia deve sempre proporcionar custo-benefício.
Leonardo Bortoletto: Eficiência energética ou preço mais baixo?
Roberto Yi: Eficiência energética, pois isso reduz os custos ao longo do tempo.
Leonardo Bortoletto: Crescimento rápido ou sustentável?
Roberto Yi: Preferimos o crescimento sustentável.
Leonardo Bortoletto: Qual a sua percepção sobre o consumidor brasileiro em relação ao preço e à eficiência energética?
Roberto Yi: A maior parte ainda prioriza o preço, mas essa visão está mudando gradualmente.
Leonardo Bortoletto: E por que o ar-condicionado ainda é visto como um artigo de luxo?
Roberto Yi: Muitos consumidores ainda priorizam outros produtos, mas precisamos educar sobre os benefícios de qualidade do ar e eficiência energética, mostrando que nossos aparelhos podem consumir menos energia que um ventilador dependendo do uso.
Leonardo Bortoletto: Para finalizar, um conselho para quem quer construir carreira em empresas globais?
Roberto Yi: Primeiramente, seja proativo e não tenha medo de apresentar suas ideias. Em segundo lugar, lembre-se de que as pessoas são o ativo mais importante de uma empresa. E claro, falar inglês é essencial para carreiras em multinacionais.
Leonardo Bortoletto: Roberto, agradeço pela sua participação.
