Uma jornada pelas cidades que transformam a culinária em arte e inclusão
Quatro cidades brasileiras conquistaram o título de Cidade Criativa da gastronomia pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). Além disso, São Paulo destacou-se com sete restaurantes no ranking latino-americano de gastronomia, solidificando sua posição no mapa do sabor brasileiro que atravessa fronteiras.
O selo de Cidade Criativa da Gastronomia é conferido àqueles municípios que utilizam a culinária como instrumento de inclusão social, educação e desenvolvimento sustentável. No Brasil, apenas quatro localidades carregam essa honraria: Belém, Paraty, Florianópolis e Belo Horizonte. Em um cenário à parte, São Paulo brilha na alta gastronomia, com uma representação significativa no ranking Latin America’s 50 Best Restaurants.
Belém: a porta da Amazônia que conquistou o paladar global
Belém foi a pioneira ao receber o selo da UNESCO no Brasil, em 2015, destacando-se pela força de sua culinária que preserva raízes indígenas em pratos com tucupi, jambu, açaí e mandioca. O Mercado Ver-o-Peso, o maior mercado a céu aberto da América Latina, é um ponto central da gastronomia local. A cozinheira Eliana Ferreira, com quase 40 anos de experiência, foi convidada pela UNESCO para compartilhar suas habilidades em oficinas em Lisboa.
Entre os destaques da cidade estão o Remanso do Bosque, dos chefs Thiago e Felipe Castanho, que reimaginam ingredientes amazônicos, e o Lá em Casa, um buffet tradicional com vista para a Baía do Guajará, famoso pelo seu pato no tucupi. O Tacacá do Renato, com três unidades, é reconhecido pelo caldo quente de tucupi, enquanto a Sorveteria Cairu, com mais de 60 anos de atuação, teve seu sorvete Carimbó eleito 32º melhor do mundo no Festival Mundial do Gelato de Roma em 2022.
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Onde a comida mineira encontrou os botecos premiados
Belo Horizonte, a capital mineira e conhecida como a capital dos botecos, recebeu o título da UNESCO em 2019. O reconhecimento veio pela colaboração entre chefs, produtores rurais e iniciativas que promovem a segurança alimentar. O Mercado Central, fundado em 1929, é um ponto de referência com mais de 400 lojas que oferecem delícias mineiras, como queijos e cachaças.
Entre os estabelecimentos icônicos estão o Maria das Tranças, famoso pelo frango ao molho pardo, o Xapuri, que serve feijão tropeiro, e o Glouton, do chef Leo Paixão, que combina técnicas francesas com ingredientes brasileiros. O Casa Cheia, por sua vez, é um bar dentro do Mercado Central conhecido pelo fígado com jiló e carne de sol.
Em Paraty, a cachaça vira passeio turístico
Paraty é a única cidade do Brasil a ostentar dois selos da UNESCO: Cidade Criativa da Gastronomia desde 2017 e Patrimônio Misto da Humanidade desde 2019. Sua culinária é uma rica mistura de influências caiçaras, quilombolas e indígenas. O Restaurante Banana da Terra, da chef Ana Bueno, é um ícone com pratos que capturam a essência da cozinha caiçara contemporânea.
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Outros locais que merecem atenção são a Casa Paratiana, que oferece comida caipira em anexo a um alambique de cachaça, e o Quintal das Letras, que combina rusticidade e modernidade dentro da Pousada Literária. O Recanto Caiçara, na Praia do Engenho D’água, é acessível apenas por barco e comandado pela chef caiçara Cida Rocha.
Por que Florianópolis virou a capital das ostras?
Florianópolis, reconhecida pela UNESCO em 2014, destaca-se pela fusão de cultura açoriana, pesca artesanal e maricultura. Santa Catarina é a maior produtora de ostras do Brasil, com a capital liderando essa produção. O Ribeirão da Ilha, um bairro açoriano, é o centro da gastronomia local.
O Ostradamus, do chef Jaime Barcelos, é uma instituição popular, conhecido por seu deque sobre o mar e a variedade de preparos de ostras. O Rancho Açoriano, fundado em 1997, é famoso por suas ostras gratinadas. Já o Freguesia Oyster Bar, em Santo Antônio de Lisboa, especializa-se em ostras cruas e gratinadas. O Bar do Arante é um clássico no Pântano do Sul, decorado com bilhetes deixados por visitantes ao longo dos anos.
São Paulo e o pódio da gastronomia latino-americana
Embora São Paulo não tenha o selo da UNESCO, é a cidade brasileira com a maior concentração de restaurantes premiados mundialmente. Em 2024, sete endereços paulistanos figuraram na lista Latin America’s 50 Best Restaurants. O A Casa do Porco, do casal Janaína e Jefferson Rueda, já alcançou o ranking de um dos dez melhores do mundo no World’s 50 Best Restaurants.
Outros destaques incluem o D.O.M., do chef Alex Atala, que integra ingredientes amazônicos à alta gastronomia, e o Maní, de Helena Rizzo, com receitas autorais. O Mocotó, de Rodrigo Oliveira, transformou a cozinha sertaneja em uma referência internacional, enquanto o Tuju, do chef Ivan Ralston, venceu o Art of Hospitality Award em 2024.
Faça as malas e siga o mapa do sabor brasileiro
De norte a sul, essas cinco cidades se tornaram ícones na transformação de identidade cultural em experiências gastronômicas reconhecidas internacionalmente. Cada uma delas conta uma história única sobre o que significa comer bem no Brasil, desde o tucupi paraense até as ostras catarinenses, passando pelo frango ao molho pardo mineiro e a alta gastronomia de São Paulo. Prepare-se para montar um roteiro e descobrir o Brasil que conquistou o paladar do mundo.
