Operação da Polícia Civil revela esquema de receptação de celulares
Um homem de 31 anos foi preso em Belo Horizonte, acusado de comprar e revender entre 300 e 400 celulares furtados em eventos. A ação, conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), foi resultado de investigações iniciadas pela polícia paranaense em maio de 2025. O caso começou quando diversas vítimas de furtos de celular em um evento em Cascavel, no Oeste do Paraná, procuraram a delegacia para relatar os crimes.
Durante as investigações, os policiais paranaenses descobriram que o principal responsável pela receptação dos aparelhos estava em Belo Horizonte. O delegado Gustavo Barletta, da 2ª Delegacia de Furtos e Roubos do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), afirmou: “Conseguimos apurar que esse homem não era apenas um receptador; ele era um grande fomentador desses crimes, adquirindo celulares de furtadores de vários estados, incluindo Minas Gerais.”
Além de furtos em grandes eventos, o suspeito também comprava aparelhos de pedestres nas ruas. O delegado revelou que ele financiava esses crimes, adquirindo ingressos para festas e pagando despesas de acompanhantes que viajavam para realizar os furtos em diferentes estados. “Ele paga viagens, compra ingressos e hospeda pessoas para que elas façam a subtração e enviem os aparelhos furtados para Minas Gerais”, detalhou Barletta.
Mais Crimes e Conexões com o Esquema
Além de revender os celulares, o homem também é suspeito de realizar empréstimos bancários em nome dos legítimos proprietários dos aparelhos. Para isso, contava com a ajuda de comparsas que, muitas vezes disfarçados de policiais, entravam em contato com as vítimas para informar que seus celulares haviam sido encontrados e solicitavam senhas para acessar os dispositivos.
Com acesso ao conteúdo dos aparelhos, o esquema se ampliava, possibilitando a prática de diversos outros crimes, incluindo acesso a contas bancárias. O delegado Barletta acrescentou: “Há indícios de que ele também acessava contas e realizava outros tipos de delitos relacionados”.
O suspeito já havia sido preso previamente por crimes como receptação e estelionato. Ele mantinha uma loja de celulares em um shopping popular no Centro de Belo Horizonte, onde muitos dos aparelhos furtados eram revendidos. Durante a prisão, realizada em sua residência no bairro Buritis, ele não ofereceu resistência e estava apenas com seu celular pessoal, que agora será analisado pelos investigadores.
Outros Suspeitos e Alertas à População
Na operação, dois outros suspeitos também foram conduzidos ao Depatri nesta quarta-feira (22). Um deles, de 23 anos, negou envolvimento no esquema, enquanto o outro, de 33 anos, foi preso por um mandado de prisão relacionado a um caso de estupro de vulnerável em Carmópolis de Minas. Além desses, outros dois indivíduos foram alvos de mandados de prisão fora de Minas Gerais: uma mulher detida em Itajaí, Santa Catarina, e um homem que já estava preso por furto em São Paulo.
O delegado Gustavo Barletta emitiu um alerta à população sobre a cautela na compra de celulares. Ele enfatizou a necessidade de verificar a origem e a procedência dos aparelhos, recomendando que as pessoas solicitem nota fiscal ou, ao menos, dados do vendedor. “As pessoas devem ser cautelosas na compra de celulares, pois esses produtos são rastreáveis. Se não tomarem cuidado, podem acabar comprando um produto oriundo de crime”, concluiu Barletta.
