Contratos Reveladores e Ligação com a Reag
Documentos recentes revelam que o escritório de advocacia de Ibaneis Rocha, o Ibaneis Advocacia e Consultoria, tem estado profundamente envolvido em transações financeiras com o fundo BLP PCJ VII, cuja assinatura no contrato é feita por Artur Martins de Figueiredo. Ele e Quadrado estão sob investigação da Polícia Federal (PF). Figueiredo é também diretor da Banvox, uma holding que, conforme indicam os registros, foi acionista do Master e agora é alvo de análises detalhadas.
Na última terça-feira (10), o blog trouxe à luz o fato de que o escritório de Ibaneis vendeu à Reag, uma entidade investigada no caso Master, a quantia de R$ 38 milhões em honorários de precatórios. Além disso, uma recente reportagem do Estadão destacou um segundo contrato no valor de R$ 10 milhões que envolve outra transação com a Reag, na qual o próprio Ibaneis atuou como intermediário.
Os contratos em questão referem-se à venda de honorários de uma ação movida pelo Sindicato dos Servidores da Justiça do Trabalho dos Estados de Rondônia e Acre (Sinjustra), que se arrasta na Justiça desde 2011. Essas operações permitem que o comprador adquira os direitos a receber os honorários, antecipando o pagamento em um processo que normalmente pode ser demorado e complexo.
A descoberta de que esses negócios ocorrem desde o primeiro mandato de Ibaneis sugere um padrão preocupante de comportamento na venda de honorários de precatórios, envolvendo o ecossistema do Master.
Implicações Políticas e Repercussões
A revelação desses contratos gerou forte repercussão política, com a oposição solicitando o impeachment do governador. A relação de Ibaneis com a Reag e outros fundos que atuam no mesmo espaço financeiro tem suscitado questionamentos sobre a ética e a legalidade de suas práticas. Ao todo, incluindo os contratos revelados, o escritório de Ibaneis, liderado por seu filho, Caio Barros, movimentou R$ 52,9 milhões, embora a quantia recebida seja significativamente inferior, cerca de R$ 12 milhões, devido ao desconto usual nas vendas de precatórios.
Entre os fundos que estiveram em contato com Ibaneis, muitos são vinculados a investigações da Operação Compliance Zero e da Carbono Oculto, que apuram atividades de lavagem de dinheiro associadas a facções criminosas e instituições financeiras, como a Reag e a Trustee, fundada por Quadrado após sua saída da Planner em 2020.
Avalista e Suspeitas de Conflito de Interesses
O governador, ao se colocar como avalista em negociações com o BLP PCJ VII, contradiz sua afirmação de ter se afastado totalmente dos negócios desde 2018, quando foi eleito pela primeira vez. Isso levanta suspeitas sobre sua real distância das operações do escritório que leva seu nome.
Documentos a que a equipe do blog teve acesso indicam que Ibaneis não apenas estava ciente, mas também ativamente envolvido em fechar acordos que beneficiam as partes envolvidas no ecossistema Master. A assinatura dele em contratos, reconhecida em cartório, revela um comprometimento que pode ser difícil de justificar diante da atual crise.
Sobre a transação revelada pelo Estadão, o escritório alegou que a assinatura de Ibaneis foi inserida digitalmente por um gerente, mas não negou sua participação nas negociações. Além disso, o escritório defendeu que suas ações são regulares e comuns entre advogados e instituições financeiras no Brasil, o que, para muitos, não dissipa a atmosfera de suspeitas sobre as operações.
O Ecossistema Complexo do Master
A relação entre o escritório de Ibaneis e o Master, anteriormente conhecido como Máxima, marca um ponto crucial nas investigações. Os contratos levantam questões sobre operações financeiras que envolvem múltiplos atores e podem revelar uma rede complexa de interesses e ações que remetem a fraudes em larga escala.
Conforme a Polícia Federal e o MPF, existem indícios de que empresários como Nelson Tanure possam estar por trás do financiamento de operações irregulares através da Banvox, que se tornou uma peça chave no quebra-cabeça do Master. As investigações em curso desde 2025 apontam para um esquema deliberado de manipulação do mercado financeiro cuja extensão ainda está sendo desvendada.
Com a descoberta de novos detalhes sobre as transações envolvendo Ibaneis, a pressão sobre o governador aumenta, assim como a expectativa da sociedade acerca de respostas claras e transparentes que possam ajudar a elucidar as condições que permitiram tais manobras financeiras.
