A Comparação Inusitada entre São Paulo e a Califórnia
Nascido na pequena Moema, uma cidade mineira com menos de dez mil habitantes, o engenheiro Ivair Gontijo é um dos nomes mais promissores da ciência brasileira. Atualmente, ele faz parte do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da NASA, onde participa ativamente do desenvolvimento de robôs exploradores, como o Curiosity e o Perseverance, que têm como missão desbravar Marte.
Após iniciar sua trajetória profissional como técnico em Agropecuária e trabalhar em uma fazenda local, Gontijo decidiu mudar-se para Belo Horizonte, onde cursou Engenharia Física na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Sua jornada acadêmica continuou com um doutorado em Engenharia Elétrica na Universidade de Glasgow, na Escócia, seguido por dois pós-doutorados, um deles na renomada Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Somente após inúmeras tentativas conseguiu a tão almejada vaga no laboratório da NASA, onde hoje contribui para missões de exploração espacial que são pioneiras no mundo.
Presença de Gontijo no São Paulo Innovation Week
Gontijo será uma das vozes confirmadas no São Paulo Innovation Week (SPIW), um festival que visa promover inovação, tecnologia e negócios. O evento, organizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, acontecerá em maio na capital paulista e deve atrair cerca de 90 mil visitantes. O festival contará com palestras de especialistas renomados, debates, oportunidades para networking e até atrações musicais. As atividades ocorrerão na Mercado Livre Arena Pacaembu e na Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).
São Paulo: um Polo de Inovação
Durante uma entrevista por videoconferência ao Estadão, Gontijo destacou o imenso potencial que São Paulo e o Brasil têm para a aplicação de tecnologias avançadas na solução de problemas locais. Ele argumenta que São Paulo pode ser considerada, de certa forma, a ‘Califórnia brasileira’, especialmente quando se trata de desenvolvimento científico e tecnológico.
Para ilustrar essa comparação, Gontijo mencionou a atuação de uma startup localizada em São Carlos, que, em associação com a Embrapa, implementa a técnica LIBS (Laser-Induced Breakdown Spectroscopy). Essa tecnologia, que foi originalmente desenvolvida para análise de rochas em Marte, agora é utilizada para a análise do solo no agronegócio e na medição da pegada de carbono.
Além disso, ele também fez referência ao trabalho de um pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), que criou um protótipo utilizando espectroscopia Raman, uma outra tecnologia empregada em missões espaciais, com o objetivo de classificar a qualidade dos grãos de café. Esses exemplos refletem um ecossistema vibrante de inovação que pode fazer a diferença para o Brasil no cenário global.
