Economia Criativa em Foco no Órbi de Portas Abertas
O Órbi ICT, localizado na Lagoinha, recebeu uma plateia cheia para a primeira edição de 2026 do evento Órbi de Portas Abertas. O encontro colocou a Economia Criativa como tema central e transformou a região em um ponto de convergência para discussões, reflexões e networking. Com entrada gratuita e acessível ao público, a programação do dia atraiu empreendedores, artistas, produtores culturais, lideranças comunitárias, especialistas em políticas públicas e representantes de instituições renomadas, todos reunidos para uma jornada de aprendizado e celebração.
“Nesta edição do Portas Abertas, buscamos expandir o formato do evento, proporcionando uma variedade ainda maior de conteúdo relevante ao longo do dia. O intuito é trazer para o centro do debate tudo que move nosso ecossistema, congregando pessoas e empresas que estão promovendo uma transformação significativa, compartilhando conhecimentos e inspirando novas iniciativas”, explicou Christiano Xavier, CEO do Órbi ICT.
O evento contou com o apoio de diversas organizações, incluindo Xeque Mate, MRV&Co, Inter, Evolua Energia, Lott Advocacia, Bamaq, A3 Data, Tial, Rede Mater Dei de Saúde, Localiza&Co, FDC, Sinduscon-MG, Inverso Hub, Cufa-MG e Viva Lagoinha.
Atividades que Engajam e Educam
A programação começou pela manhã com o Rolezin da Lagoinha, uma caminhada guiada pelo coletivo Viva Lagoinha, liderado por Felipe Thales. Os participantes exploraram ruas que narram a história de Belo Horizonte, refletindo sobre identidade, patrimônio cultural e o turismo comunitário. O objetivo foi incentivar uma nova percepção da cidade, valorizando a contribuição diária de seus cidadãos.
À tarde, oficinas práticas possibilitaram o aprendizado colaborativo, promovendo um espaço para a troca de experiências e saberes. As rodas de conversa, que se seguiram, enriqueceram ainda mais o debate, abordando temas como arte urbana, cultura do Carnaval, e o potencial da cultura como ferramenta de transformação social e inovação.
Carnaval: Uma Tecnologia Ancestral
No painel dedicado à Cultura do Carnaval, o filósofo e pesquisador Marcos Antônio Cardoso destacou a relevância da cultura afro na construção da festa. Ele observou que “a juventude é a base de uma nova linguagem”, enfatizando que o Carnaval, como uma celebração popular, tem suas raízes na cultura afro-brasileira. “Devemos entender a cultura do Carnaval como uma tecnologia ancestral”, afirmou. Cardoso também ressaltou a hospitalidade mineira como uma “tecnologia essencial para o turismo” e defendeu a ética do cuidado como base fundamental para um Carnaval que promova pertencimento.
Heleno Augusto, representante do Bloco Havayanas Usadas, lembrou do momento em que a população decidiu retomar as festividades nas ruas. “A cidade queria reviver o Carnaval. Com as baterias abertas, qualquer pessoa pôde participar e tocar. Não devemos perder esses espaços formados pelas comunidades ao redor da festa”, declarou.
A cantora Aline Calixto, do Bloco Filhas de Clara, frisou a importância de valorizar os protagonistas locais do Carnaval. “Precisamos ter atenção para a invasão de agentes externos no nosso Carnaval. Não se trata de ser contra artistas de fora, mas de criar um conceito que converse com a cidade. Nosso Carnaval é coletivo”, afirmou, citando as dificuldades que blocos periféricos e femininos enfrentam na busca por recursos.
Luci de Nanã, presidente da Associação dos Blocos Afro de Minas Gerais, destacou a dimensão política do evento: “O Carnaval é um símbolo de pertencimento. Estamos moldando a história da cidade há 26 anos com o Tambolelê. A inteligência sociocultural precisa ser considerada nas decisões públicas”, afirmou.
Desenvolvimento Econômico e Incentivos Culturais
O segundo eixo do encontro abordou educação, inovação e impacto. Christiano Xavier compartilhou sua inspiração no modelo do Porto Digital, em Recife, destacando que “um dos principais aspectos é a valorização da cultura local. O Órbi se alimenta dessa fonte”. Durante o evento, Hannah Drumond, representante da Cemig, apresentou dados relevantes: 310 projetos incentivados em 225 cidades mineiras. “Dentro de Minas, existe uma diversidade imensa. Elaborar políticas de patrocínio que atendam a essa realidade é um grande desafio”, comentou, enfatizando a importância do impacto territorial dos investimentos.
Ueverson Melato, da Fundação ArcelorMittal, reiterou a necessidade de apoiar projetos que gerem emprego e renda. “Buscamos iniciativas focadas no desenvolvimento e na formação de pessoas, reconhecendo a pluralidade presente em nosso território.” Kessy Almeida, gerente de marketing da Xeque Mate Bebidas, anunciou que a empresa ampliou seu apoio ao Carnaval, criando um edital próprio para blocos. “Estamos dispostos a conhecer, entender e apoiar projetos que tenham uma conexão genuína com a cidade”, revelou. O evento ainda contou com a presença de nomes como Elke Resende, da Nossa Senhora das Produções, e Paulo Emílio, presidente do Instituto Iungo, reforçando a pluralidade de vozes e a relevância institucional presente.
O encontro foi encerrado por uma roda de conversa sobre arte urbana, com a participação da professora associada do curso de design da Universidade Federal de Minas Gerais, Maria Luiza, e os artistas visuais Seres, DgS e Myla, além da ilustradora e tatuadora Bruna.
Dados e a Economia do Carnaval
Quem controla os dados, controla o ritmo. A3Data, parte do Órbi ICT, apresentou números que evidenciam que o Carnaval é mais que uma festividade; é também uma força econômica significativa. Durante o período, a movimentação econômica brasileira alcançou 9 bilhões de reais, com mais de 25 mil empregos temporários gerados no setor de eventos e turismo.
O que faz uma canção se tornar um sucesso? A ciência por trás dos hits revelou um crescimento de 200% no consumo de playlists de “Axé” e “Samba” nas plataformas de streaming durante o mês de fevereiro.
Em relação à logística de resíduos, 50% das latinhas foram recuperadas por cooperativas que utilizam dados para mapear pontos de descarte. O volume de lixo coletado apenas nos blocos de rua das grandes cidades somou 900 toneladas.
Vale destacar também o uso de tecnologia de monitoramento preditivo. Este Carnaval contou com a alta precisão (98%) de softwares de reconhecimento facial usados para identificar foragidos em grandes aglomerações. Mapas de calor gerados a partir de sinais de celular auxiliaram na previsão e dispersão de multidões antes de potenciais incidentes de segurança.
