Cleitinho Azevedo rejeita cenário de Minas quebrada e cita Flamengo como exemplo de recuperação
O candidato ao governo de Minas Gerais pelo Republicanos, Cleitinho Azevedo, descartou nesta segunda-feira, 21, que o estado esteja em situação financeira falida. Em sabatina realizada pela BandNews, ele comparou a atual condição das finanças mineiras à retomada de um clube de futebol emblemático, o Flamengo. Segundo Cleitinho, Minas precisa alterar sua “energia”, organizar as contas públicas e estimular a economia para seguir um caminho semelhante ao do time carioca, que superou uma crise financeira para se tornar uma “potência mundial”.
“Primeiro, é preciso mudar essa energia do Estado. Vou dar o exemplo do Flamengo, que em 2016 estava quebrado. Hoje, com boa gestão, o clube virou uma potência mundial”, afirmou. Ele destacou ainda que o Flamengo soube valorizar seu principal ativo — a torcida — e transformá-lo em resultado prático.
Cleitinho criticou a narrativa que aponta Minas como quebrada. Para ele, a comprovação de uma crise seria o atraso no pagamento dos salários das autoridades estaduais. “O dia que eu vir um Estado quebrado será quando o salário do governador atrasar ou deputados fizerem manifestações por falta de pagamento”, declarou. Ele citou ainda salários de magistrados e desembargadores para exemplificar a desorganização orçamentária vigente.
Dados oficiais e plano de governo indicam desafios fiscais para Minas Gerais
Segundo o Portal da dívida pública da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, atualizado até 31 de agosto, o saldo da dívida estadual alcança R$ 208,87 bilhões. Deste montante, R$ 188,19 bilhões referem-se à dívida com a União, R$ 14,35 bilhões a outros contratos e R$ 6,33 bilhões a outras obrigações financeiras.
O plano de governo de Cleitinho reconhece que Minas enfrenta “severas restrições fiscais” e destaca a necessidade de “fazer mais com menos”, por meio de cortes orçamentários, definição de prioridades e aumento da eficiência administrativa.
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Na sabatina, o candidato explicou que pretende aumentar a receita estadual, simplificar a burocracia, atrair investimentos e ampliar parcerias com o governo federal e a iniciativa privada para equilibrar as contas. “O Estado é fonte de despesa. Quem gera riqueza é o agro, o empreendedor, as indústrias, o povo e o trabalhador”, disse.
Renegociação da dívida e parcerias com o setor privado são propostas centrais
Entre as medidas concretas apresentadas, Cleitinho mencionou a intenção de renegociar a dívida de Minas com a União, classificando o Programa de Ajuste Fiscal (Propag) como um “mal necessário”. Também prometeu conceder automaticamente a recomposição anual dos salários dos servidores públicos conforme a inflação a partir de sua eventual gestão, mas sem compromisso de pagamento das perdas acumuladas de governos anteriores.
O plano de governo reforça a proposta de negociar a dívida estadual junto ao Governo Federal, buscando a criação de um fundo para investimentos em logística e infraestrutura.
Na área de infraestrutura, Cleitinho pretende buscar parcerias com empresários para recuperar estradas, citando como exemplo uma iniciativa adotada em Divinópolis. Ele sugeriu que empresas com dívidas junto ao Estado possam executar obras rodoviárias como contrapartida, com abatimento dos valores devidos.
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“Há empresas que devem ao Estado multas ambientais que ultrapassam bilhões de reais. Posso fazer permutas para que elas assumam a manutenção de estradas, descontando as dívidas”, afirmou.
Relação com empresários e análise do Ministério Público
Cleitinho ressaltou que pretende governar sem compromissos pessoais com empresários. “Não vou entrar devendo ninguém e nunca pedirei algo a empresários para mim. Vou pedir para o povo”, declarou.
O posicionamento ocorre em meio a um procedimento preliminar do Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG), que analisa uma denúncia envolvendo cessões de aeronaves à campanha do candidato. Documentos do DivulgaCandContas indicam três cessões estimadas em R$ 21,45 mil feitas pelo empresário Eliésio Carlos Rodrigues. O MP-MG ainda não concluiu a existência de irregularidades.
A assessoria de Cleitinho classificou a denúncia como infundada, destacando que todos os atos da campanha seguem a legislação eleitoral. As cessões constam da prestação de contas eleitoral e não contradizem a afirmação do candidato de que não solicitou favores pessoais a empresários.
