Inflação desacelera em Belo Horizonte e supera expectativas
A inflação na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) apresentou desaceleração em junho, ficando abaixo do previsto pelo mercado. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), registrou aumento de apenas 0,12% no mês, abaixo dos 0,34% de maio e da média nacional de 0,16%. Esse resultado reflete uma mudança no ritmo dos preços na capital mineira, com impacto direto no poder de compra dos consumidores.
Alimentos puxam queda, energia elétrica mantém pressão
O grupo alimentação e bebidas teve queda expressiva de 0,89%, influenciado principalmente pela redução nos preços das frutas (-6,1%) e dos legumes (-3,52%). Essa retração foi o principal fator para a desaceleração da inflação no mês. Por outro lado, o grupo Habitação apresentou alta significativa de 1,27%, impulsionada pela energia elétrica residencial, que subiu 3,65%. Esse aumento se deve à vigência da bandeira tarifária amarela, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, e ao reajuste de 5,21% aplicado em Belo Horizonte desde 28 de maio.
Além disso, outros setores como Transporte (0,36%), Despesas pessoais (0,4%), Vestuário (0,26%), Artigos de residência (0,26%) e Comunicação (0,33%) também registraram altas, enquanto o grupo Educação não apresentou variação no período.
Especialistas apontam dinâmica regional e desafios futuros
Segundo o economista Gustavo Almeida, a RMBH mantém uma trajetória de inflação mais moderada que a média nacional, resultado das diferenças regionais no consumo e logística. Ele destaca que a queda nos alimentos foi quase quatro vezes mais intensa que a média do país, enquanto a energia elétrica representou a principal fonte de pressão inflacionária em junho.
Leia também: Imersão Gastronômica em Belo Horizonte Reúne 20 Chefs de Minas Gerais
Leia também: Bairro planejado entre Belo Horizonte e Sabará terá VGV superior a R$ 1 bilhão e condomínio Alphaville
O economista e professor Fernando Sette Junior reforça a tendência de desaceleração observada no segundo trimestre, com a inflação concentrando-se em preços administrados, especialmente na energia elétrica. Ele alerta para o impacto desse componente no orçamento familiar e na economia, devido à sua participação significativa nos gastos domésticos e custos empresariais.
Gustavo Almeida ressalta ainda que a queda do etanol ajudou a conter a alta nos preços dos transportes, compensando parcialmente a pressão da energia elétrica, apesar do leve aumento da gasolina.
Perspectivas para o segundo semestre
Para os próximos meses, Almeida aponta que o cenário poderá se complicar, especialmente se o fenômeno climático El Niño influenciar os preços dos alimentos, grupo que aliviou a inflação em junho. O último trimestre do ano também tende a apresentar maior pressão inflacionária devido ao aumento do consumo.
O economista observa a tensão entre a política monetária restritiva, que limita o consumo, e medidas de estímulo ao crédito que podem impulsioná-lo. O equilíbrio entre esses fatores será determinante para o comportamento da inflação no restante do ano.
Leia também: Belo Horizonte e Federação Russa ampliam cooperação em negócios e cultura
Leia também: Cupping Cafés do Mundo reúne sabores de 12 países com torra premiada
Inflação acumulada no semestre e desempenho dos setores
No primeiro semestre, todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentaram alta na RMBH. Habitação liderou com aumento de 4,65%, seguido por Alimentação e bebidas (4,11%) e Educação (3,82%). Também registraram alta Saúde e cuidados pessoais (3,74%), Artigos de residência (3,32%), Despesas pessoais (2,97%), Vestuário (2,60%), Comunicação (2,21%) e Transportes (1,29%).
Gustavo Almeida destaca que, apesar da alta da gasolina no Brasil, em Belo Horizonte seu preço permaneceu praticamente estável, enquanto o etanol teve queda expressiva, o que ajudou a manter a inflação regional abaixo da média nacional. A energia elétrica permanece como o principal peso no orçamento das famílias durante o ano.
Sette Junior observa que a mudança na composição da inflação ao longo do semestre sinaliza um cenário mais favorável, com pressão concentrada em preços administrados e um processo de convergência para a meta inflacionária. Essa tendência é positiva para consumidores, empresas e para a condução da política monetária, embora a vigilância sobre os preços administrados continue essencial nos próximos meses.
