Brasil avança na produção global de grafite
O Brasil desponta como protagonista no mercado mundial de grafite, graças às vastas reservas no subsolo, especialmente em Minas Gerais e Bahia. Com a segunda maior reserva do planeta, representando 27% do volume medido, o país está atraindo investimentos significativos para suprir a crescente demanda por minerais críticos, impulsionada pelos setores de baterias para veículos elétricos, infraestrutura e a transição energética.
Um projeto ambicioso, avaliado entre R$ 700 milhões e R$ 800 milhões, pretende produzir 54 mil toneladas anuais de concentrado de grafita (flakes). O empreendimento está na fase final de estudos de viabilidade econômica e aguarda a licença ambiental, esperada até o fim deste ano. A previsão é iniciar a construção em meados de 2027 e começar a produção no último trimestre de 2029.
Participação internacional e foco estratégico
Por trás do projeto está a Appian Capital Advisory Limited, gestora de fundos de private equity e consultora de investimentos com sede em Londres, especializada em mineração e metais críticos. A Appian já atua no Brasil por meio da Atlantic Nickel, que extrai níquel sulfetado na Bahia para aplicações em transição energética, além de ter sido proprietária da Mineração Vale Verde, em Alagoas, vendida à chinesa Baiyin Nonferrous.
Ricardo Alves, diretor geral e de operações da Graphcoa, destaca o papel do grafite natural nas baterias elétricas. Segundo ele, uma bateria típica de 150 kg contém cerca de 150 g de grafite, majoritariamente sintético, mas o grafite natural, por sua alta condutividade elétrica, tem espaço para crescer como o principal mineral nas baterias.
Leia também: Minas Gerais Destaca Cultura e Inovação no SXSW com Meta de R$ 200 Milhões em Negócios
Leia também: Belo Horizonte estreia série de almoços do Instituto B55 com líderes empresariais
Contexto global e posicionamento do Brasil
A China domina a produção mundial de concentrado de grafite, com 80%, e controla 90% do grafite esférico purificado revestido (CSPG), principal componente ativo nos ânodos de baterias de íon-lítio, além de 95% do material químico. Globalmente, o consumo de produtos de grafite chega a 1,7 milhão de toneladas.
O projeto Grafite Jordânia será um dos primeiros do Ocidente a entrar em operação, aproveitando localização estratégica para exportação pelos portos de Salvador, Ilhéus (Bahia) e Vitória (Espírito Santo). A mina Boa Sorte, em Itagimirim (BA), serviu como planta demonstração para o projeto e poderá se transformar em um novo empreendimento no futuro.
O foco atual está em Minas Gerais, onde a produção visa atender grandes fabricantes de carros elétricos na América do Norte e Europa. A tonelada de grafite de alta pureza, destinada ao setor de baterias, é negociada em torno de US$ 4 mil (cerca de R$ 20 mil), tendo alcançado até US$ 12 mil no auge do mercado.
Perspectivas e ambiente regulatório favorável
Rafael Rabioglio, head da América Latina da BloombergNEF, apresentou no Invest Mining 2026 que a demanda por grafite estará fortemente ligada à transição energética até 2050, cenário vantajoso para o Brasil, que detém mais de um quarto das reservas mundiais.
Leia também: Décimo Terceiro Salário 2026: Guia Completo de Cálculo, Prazos e Isenção de IR
Leia também: Minas Gerais na 15ª posição no ambiente de negócios e atrás dos vizinhos do Sudeste
Um ponto crucial é o marco legal instituído pela nova política nacional de minerais críticos, criada neste ano. Miguel Nery, gerente executivo da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM), ressalta a importância desse ambiente positivo para a mineração nacional.
O grafite, a forma mais pura do carbono, destaca-se como o melhor condutor térmico e elétrico entre os não metais, segundo a Nacional Grafite, maior produtora brasileira fundada em 1939. Suas características — maciez, flexibilidade, alta refratariedade e inércia química — garantem aplicações que vão da energia portátil à metalurgia, peças e componentes, materiais refratários e lubrificantes.
Além da Graphcoa, outras mineradoras brasileiras desenvolvem projetos focados em grafite para baterias e transição energética, como a Atlas Critical Minerals, South Star Battery Metals (Mina Santa Cruz, na Bahia) e Graph+.
