Governo de Minas Gerais arrecada R$ 8,4 bilhões com privatização da Copasa
O governo de Minas Gerais concluiu a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), levantando R$ 8,4 bilhões com a operação. Desse total, R$ 5,6 bilhões vieram da venda de 30% das ações para o grupo equatorial energia, que assumiu o papel de investidor de referência da empresa. Outros R$ 2,8 bilhões foram captados em uma oferta pública de ações, realizada no mercado financeiro e encerrada no final da noite de quinta-feira, 11.
Estrutura da venda e papel da Assembleia Legislativa
O projeto de privatização teve aprovação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) após um processo de debates públicos. A transação foi realizada por meio de uma oferta secundária de ações na bolsa, sem emissão de novos papéis. Com isso, o Estado reduziu sua participação na Copasa de 50% para cerca de 5%, mantendo uma golden share que garante poder de veto estratégico em decisões importantes.
A Equatorial Energia, ao adquirir a fatia de 30%, tornou-se controladora da Copasa, juntando-se à Sabesp como uma das maiores empresas de saneamento do país sob seu comando. Após essa aquisição, a oferta pública de ações foi aberta ao mercado com preço de R$ 49,03 por ação, valor igual ao pago pela Equatorial na compra inicial. No entanto, um lote extra de 19 milhões de ações não foi vendido.
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Demanda recorde e perfil dos investidores
A procura por ações da Copasa superou R$ 70 bilhões, número que representa cerca de 40 vezes a quantidade de papéis ofertados, desconsiderando a parcela destinada à Equatorial e ao varejo. A operação atraiu um amplo espectro de investidores locais e estrangeiros, incluindo fundos soberanos, fundos de pensão e fundos especializados em saneamento.
Entre os compradores institucionais, 85% eram fundos de longo prazo, conhecidos como ‘long only’, que visam ganhos pela valorização gradual das ações. Os hedge funds, que buscam retornos ativos em diferentes cenários de mercado, corresponderam a 15% dos investimentos. Os dez maiores investidores concentraram 30% da demanda da oferta pública, enquanto os vinte maiores somaram 50%. A gestora Perfin, por exemplo, recebeu alocação próxima a R$ 50 milhões.
Detalhes finais e impacto para o governo mineiro
O governo estadual foi o único vendedor das ações na operação, garantindo uma redução significativa da sua participação na Copasa. Na quinta-feira, representantes do governo participaram de reunião para tratar dos detalhes finais da transação. A Equatorial manifestou interesse em adquirir até 48 milhões de ações no lote de mercado, equivalente a R$ 2,35 bilhões, mas não recebeu alocação no lote de varejo.
Essa privatização representa uma mudança estratégica na gestão do saneamento em Minas Gerais, com reflexos diretos no mercado local e nacional, além de abrir caminho para novos investimentos no setor.
