Flávio Trombino traz o universo da equitação para novo boteco em Belo Horizonte
Flávio Trombino, conhecido por comandar o tradicional restaurante Xapuri na Pampulha, finalmente realizou um sonho antigo: abrir um boteco próprio na capital mineira. O novo espaço, batizado de Alter, fica no bairro Belvedere, a mais de 20 quilômetros do Xapuri, e já chega com uma proposta que valoriza raízes mineiras e a paixão do chef pela equitação.
O chef costuma lembrar, com bom humor, de sua trajetória: uma fotografia pendurada atrás do balcão mostra Trombino saltando com um cavalo marrom, evidenciando os mais de 20 anos que dedicou ao hipismo antes de abraçar a cozinha. Foi em 2014 que ele assumiu o comando do Xapuri, restaurante fundado pelos seus pais em 1987, referência na culinária mineira clássica em Belo Horizonte e no Brasil.
Aprender com a mãe, dona Nelsa, as técnicas tradicionais da cozinha caipira, como o pinga e frita e o uso do tacho de cobre, foi fundamental para o desenvolvimento do seu estilo. Nos últimos anos, Trombino tem introduzido sua personalidade ao cardápio, respeitando os quase 40 anos de história do Xapuri. Agora, com o Alter, ele abre um leque maior para criar e inovar sem perder a essência.
Decoração e conceito remetem ao interior e à paixão pelo hipismo
O Alter traz uma decoração que remete aos antigos quartos de sela e estábulos, com muitos elementos ligados ao universo dos cavalos, uma marca pessoal de Trombino. Chapéus, portas de cocheiras transformadas em balcões e suportes para selas virados em prateleiras oferecem uma atmosfera acolhedora e autêntica, com muitos objetos reaproveitados de uma antiga hípica que funcionava nos fundos do Xapuri.
A cozinha aberta e o balcão central aproximam clientes e funcionários, reforçando o clima de boteco tradicional. Diferente dos gastrobares modernos, o Alter homenageia o interior de Minas Gerais, oferecendo receitas típicas com sabor e tempero de raiz, o que tem tudo a ver com o público do bairro Belvedere, onde há uma carência desse tipo de estabelecimento.
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Cardápio pensado para compartilhar e celebrar a culinária mineira
O menu do Alter privilegia pratos para compartilhar, com preparações cuidadosas e ingredientes regionais que reforçam a identidade mineira. Entre as opções, destacam-se as caldeiradas — moela, língua e carne de panela — que vêm acompanhadas de pão quentinho para aproveitar o molho. Petiscos como bolinho de mandioca com queijo, tradicional do Xapuri, também marcam presença em porções menores para que os clientes possam experimentar várias delícias.
Os sanduíches trazem combinações criativas, como o “vira-lata metido à besta”, que leva linguiça, cebola caramelizada na rapadura, vinagre de jabuticaba, rúcula e mostarda, e o clássico filé com queijo. Na chapa, o fígado acebolado com jiló e sua versão com fígado de pato e abobrinha chamam atenção, assim como o coração de pato com cogumelos e a linguiça feita segundo a receita tradicional do Xapuri.
O prato principal é o clássico bife a cavalo, servido nas versões bovina e suína, ambos acompanhados de fritas e ovos. O chef também planeja incluir no cardápio um macarrão com sardinha e uma única sobremesa: o manjar de coco, em homenagem ao creme de maisena do Café Nice. Ao contrário do Xapuri, conhecido pelo buffet de doces, o Alter opta por uma oferta enxuta, focada na qualidade e na experiência gastronômica.
Cachaça e coquetéis valorizam a cultura mineira no bar
Um destaque do Alter é a expressiva carta de cachaças, bebida símbolo de Minas Gerais e fio condutor da experiência no boteco. Uma estante ocupa toda uma parede, exibindo garrafas divididas nas categorias Bronze, Prata, Ouro e Super Ouro, com preços que variam de R$ 18 a R$ 39 por dose. Muitas delas foram adquiridas pelo próprio chef em viagens por diferentes regiões produtoras.
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Além das cachaças puras, o bar oferece coquetéis autorais que valorizam o espírito mineiro, como o Rabo de Galo, feito com blend próprio de vermute e cachaça envelhecida, e o Jabu, que leva Jagermeister, cachaça, limão, purê de jabuticaba e água tônica. Essa seleção reforça o conceito do Alter, que alia tradição e criatividade.
Nome e localização reforçam identidade única do boteco
O nome Alter foi escolhido cuidadosamente pelo chef, pois carrega diversos significados. Refere-se à altitude do bairro Belvedere, um dos pontos mais altos de Belo Horizonte; ao conceito de alter ego, que representa uma faceta diferente de Trombino; e à cidade portuguesa Alter do Chão, onde está localizada a cavalariça mais antiga do mundo, fundada em 1748.
Flávio explica que a história dos cavalos Lusitanos trazidos para o Brasil por Dom João, que se misturaram à raça Andaluz, é parte do legado que inspira o Alter. Em uma cidade reconhecida pela cultura dos botecos, o novo bar se destaca por apostar em elementos ligados ao território mineiro e na hospitalidade, característica valorizada em Minas Gerais.
O Alter Bar está localizado na Avenida José Maria Alkimim, 86, no Belvedere. O funcionamento é de segunda a quinta-feira, das 17h às 23h30; sexta-feira, das 16h às 23h30; e sábado, das 14h às 23h30. Aos domingos, o bar não abre.
