Iniciativa Promove Dignidade e Esperança
A Pastoral de Rua da Arquidiocese de Belo Horizonte se mobilizou para preparar e distribuir mais de 500 refeições à população em situação de rua durante a Sexta-feira da Paixão, um dia que convida à reflexão sobre o sacrifício de Jesus. O evento, realizado na Catedral Cristo Rei, localizada na Região Norte da capital mineira, teve como um dos principais pontos a distribuição das refeições no Viaduto Santa Tereza.
Além de fornecer alimento, a ação foi projetada como um momento de esperança para aqueles que enfrentam as dificuldades da vida nas ruas de Belo Horizonte. Com mesas decoradas, o público teve a oportunidade de desfrutar de uma apresentação musical, criando um ambiente acolhedor e comunitário.
Claudenice Rodrigues, coordenadora da Pastoral de Rua, conversou com a equipe da Itatiaia sobre a importância dessa ação. Para ela, o evento busca proporcionar uma “partilha do alimento com dignidade”. “O cotidiano das pessoas em situação de rua é repleto de desafios; muitas vezes, falta comida e água. Essa é uma oportunidade de trocar experiências e transmitir esperança”, destacou.
Exemplos de Superação e Resiliência
A atividade contou com a participação de membros do Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR) em Minas Gerais. Priscila Braga e Thais Cristiane, duas mulheres que vivenciaram a experiência de viver nas ruas, estavam presentes no Viaduto Santa Tereza. Ambas foram acolhidas por uma ONG e hoje estão reconstruindo suas vidas.
Em entrevista à Itatiaia, Priscila compartilhou sua história de superação. Adotada ao dois meses de idade, ela enfrentou a perda de sua mãe aos treze anos, um acontecimento que marcou profundamente sua trajetória. “Naquele momento, perdi meu mundo também”, contou ela, referindo-se ao impacto emocional que a situação causou em sua vida.
Após um período difícil de adolescência e enfrentando a vida nas ruas, Priscila foi acolhida pela ONG Casa Cidadã, que oferece suporte para que pessoas em situação de rua possam pagar aluguel temporariamente, permitindo que reiniciem suas vidas. “A Sexta-feira da Paixão possui um simbolismo muito forte; fala sobre a ressurreição de Jesus e, se Ele estivesse aqui hoje, certamente participaria dessa ceia”, completou Priscila.
Por outro lado, Thais, de 54 anos, que foi abandonada pela mãe quando tinha apenas cinco, também compartilhou sua trajetória dura. Enfrentou a dependência química e passou muitos anos vivendo em situação de rua. Contudo, ela encontrou apoio na Pastoral de Rua, que a acolheu e proporcionou a possibilidade de recomeçar. Atualmente, Thais está fora das ruas há cinco anos e completou uma década sem o uso de álcool e outras substâncias.
“Cresci nas ruas, mas não suportava mais a vida de abuso de álcool e drogas. Ser mulher em situação de rua é extremamente complicado. Ao ser acolhida, as pessoas da pastoral me enxergaram como uma pessoa digna”, relembrou Thais, que, surpreendentemente, já possui formação em 120 cursos diferentes. Essa trajetória de vida ilustra a importância de iniciativas como a da Pastoral de Rua, que não apenas alimentam, mas também resgatam a dignidade humana.
