Uma Coletânea de Histórias Inspiradoras
“Do Sonho ao Sucesso – Cartas que te Guiam da Semente do Sonho ao Florescer do Sucesso” é um livro coletivo que destaca a força de 27 mulheres através de suas narrativas de vida, trabalho e superação. Idealizado pela empreendedora cultural Silvana Lages, a obra visa evidenciar a luta diária dessas mulheres, independentemente de sua trajetória, por seus direitos e conquistas.
Entre as vozes que compõem essa coletânea, destaca-se a ex-deputada e escritora Maria Elvira, que, vinda de uma família de educadores e sempre articulada, encontrou na política o caminho para defender os direitos femininos. Em 1986, Maria Elvira se tornou a primeira deputada estadual de Minas Gerais, ao lado de Sandra Starling, iniciando sua luta em um espaço que, até então, não possuía banheiro feminino.
“Esse livro surgiu pela iniciativa de Silvana Lages, proprietária da Editora Empreender. Ela convidou um grupo diverso de mulheres para compartilhar suas experiências. Eu sou a mais velha delas. A ideia era que as histórias fossem apresentadas em forma de cartas dirigidas a outras mulheres, e isso se revelou uma proposta muito feliz, resultando em um trabalho bonito e delicado”, comenta Maria Elvira.
Uma Apresentação Única e Lançamentos Bem-Sucedidos
As cartas, que compõem a obra, são envolvidas em envelopes floridos, conferindo um charme singular ao livro. Até o momento, os lançamentos ocorreram com sucesso em São Paulo e Belo Horizonte, com o próximo evento agendado para Ouro Preto, no dia 8 de maio.
“As apresentações têm sido muito exitosas. Em Ouro Preto, queremos fazer uma analogia entre o grupo de mulheres e as figuras que atuaram na Inconfidência Mineira, que, por muito tempo, não foram reconhecidas como protagonistas. Embora tenhamos conquistado avanços significativos, ainda temos um longo caminho a percorrer em busca da igualdade”, ressalta.
Novos Projetos de Maria Elvira
Além de sua participação no livro, Maria Elvira está prestes a lançar sua autobiografia. Com 75 anos, ela planeja transformar a icônica Casa dos Anjos, localizada na Pampulha, em um museu dedicado à trajetória das mulheres na política de Minas Gerais.
No que diz respeito à elaboração de sua autobiografia, ela admite estar atrasada. Sua agenda repleta de compromissos a impede de dedicar o tempo necessário para selecionar os acontecimentos que moldaram sua trajetória. Com uma vida intensa que combina viagens, trabalho e engajamento político, Maria acredita que sua maior contribuição para a sociedade é a luta contínua pelos direitos femininos.
“Desde jovem, compreendi a importância de me engajar na luta pelos direitos das mulheres. Minha entrada na política foi impulsionada por essa causa. Antes disso, como empresária, já atuava em favor dessa luta. Fui a primeira mulher diretora na Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas) e ouvi muitas vezes que a associação estava ‘mais perfumada’ com a minha presença. Porém, eu representava muito mais que isso; ali, eu significava a força de trabalho feminina. Foi nesse espaço que criei o que hoje é o Conselho da Mulher Empreendedora”, relembra.
Memória e Tradição em Minas Gerais
A Casa dos Anjos, além de abrigar a autobiografia e o museu, também guarda a memória de uma coleção icônica de papais-noéis, que Maria Elvira começou a montar ainda na adolescência. Sua primeira aquisição foi em uma das primeiras lojas de departamentos de Belo Horizonte, a Mesbla. Ao longo dos anos, a coleção cresceu e passou a ser uma atração na cidade, recebendo visitantes e transformando-se em exposições que encantaram moradoras e moradores.
Além de sua própria história, o museu também contará a trajetória do grupo Caminhantes da Estrada Real, um coletivo de cerca de 80 mulheres com idades entre 40 e 70 anos. Elas percorreram, a pé, os caminhos históricos da Estrada Real entre 2003 e 2020.
“Fomos um grupo diverso que começou sem muitas pretensões, mas logo nossa presença se fez notar, sendo recebidas com festas nas cidades. Conseguimos apoio de várias empresas e realizamos um trabalho de divulgação significativo da Estrada Real. Fomos reconhecidas pelo Estado com diversas medalhas. É essencial ouvirmos as histórias dessas mulheres, pois elas têm experiências incríveis que merecem ser compartilhadas. Quem sabe não temos aí mais um livro?”, provoca a escritora.
