Greve dos Professores em Belo Horizonte Completa um Mês Sem Avanços
A paralisação dos profissionais da educação da rede municipal de Belo Horizonte completa um mês nesta quarta-feira (27) e ainda não há sinais de acordo entre a categoria e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). O principal foco do impasse está no reajuste salarial, na carreira dos docentes e no modelo de contratação dos trabalhadores terceirizados, que segue gerando tensão no diálogo entre as partes.
Os professores reivindicam a recomposição salarial com o pagamento integral do piso nacional, reivindicação que ainda não foi atendida pela administração municipal. Por sua vez, a PBH afirma ter cumprido sete das oito demandas prioritárias apresentadas pela categoria, mantendo a posição de que o reajuste oferecido é superior ao piso estabelecido para o magistério em 2024.
Oferta de Reajuste e Reivindicações da Categoria
De acordo com a Prefeitura, o reajuste total concedido aos servidores da educação é de 6,61%, dividido em 2,4% pagos em fevereiro e 4,11% a partir de maio, que é a data-base do funcionalismo público. Esse índice está acima do piso nacional do magistério, fixado em 5,4% para este ano, segundo a gestão municipal. Contudo, o sindicato contesta esses números e defende o pagamento integral do piso, com a aplicação de 5,4% de reajuste mais 15% retroativo a janeiro, conforme pauta formalmente entregue ao Executivo em março.
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Além do reajuste, os professores também apontam problemas estruturais, como a falta de docentes nas escolas, a sobrecarga de trabalho e o crescimento da terceirização na rede municipal, que, segundo eles, prejudica as condições de trabalho e a qualidade da educação pública.
Terceirização e Implicações para a Rede Municipal
Um dos pontos mais delicados da negociação é o modelo adotado para contratação via Organizações da Sociedade Civil (OSCs). A categoria vê esse sistema como uma fonte de precarização, destacando riscos como o desvio de função, a instabilidade contratual e a ausência de critérios transparentes para seleção e fiscalização dos profissionais terceirizados.
A Prefeitura, por sua vez, ressalta avanços em áreas como a criação de um comitê de transição para os terceirizados, propostas para mudanças na Lei Orgânica do Município, progressão funcional, transparência na oferta de vagas, normatização das caixas escolares e discussões sobre a jornada docente. Contudo, os professores avaliam essas medidas como insuficientes, já que se tratam de debates e estudos futuros, sem impacto imediato nas demandas reais.
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Assembleia Decisiva e Próximos Passos
O sindicato marcou uma nova assembleia para esta quinta-feira (28), quando a categoria deve avaliar o contexto atual da greve e definir os próximos movimentos. A mobilização teve início em 27 de abril, após aprovação de indicativo de paralisação em assembleia realizada no dia 16 de abril, como parte da Campanha Salarial 2026. Desde então, os profissionais mantêm o movimento, com a expectativa de que a negociação avance para uma solução que contemple suas principais reivindicações.
O desenrolar desse impasse tem impacto direto na rede municipal de ensino de Belo Horizonte, afetando a rotina dos estudantes, famílias e também a economia local, já que a paralisação reflete nas atividades dos bairros e regiões envolvidas. A continuidade da greve depende da decisão da categoria, que busca garantir melhores condições de trabalho, valorização salarial e estabilidade na contratação.
