Desafios Enfrentados na Educação Municipal de Belo Horizonte
A greve dos trabalhadores terceirizados das escolas municipais de Belo Horizonte chega a 10 dias nesta quarta-feira (4/3), afetando alunos e suas famílias. Desde o início da paralisação em 23 de fevereiro, profissionais contratados pela Minas Gerais Administração e Serviços (MGS) têm deixado funções essenciais, como portaria, limpeza, cantina e acompanhamento de estudantes com deficiência, sem cobertura.
Com a ausência destes profissionais, escolas enfrentam dificuldades significativas para manter suas atividades normais. Alunos, especialmente aqueles com necessidades especiais, estão sendo os mais prejudicados, uma vez que dependem do suporte em sala de aula. A prefeitura, por sua vez, afirma que todas as unidades estão em funcionamento e que estão sendo tomadas medidas para lidar com as ausências temporárias.
“Muitas famílias estão tendo dificuldades para equilibrar trabalho e cuidados com as crianças. Alguns estão até perdendo o emprego”, denuncia Pedro Veras, um jornalista de 36 anos que representa os pais e mães do Centro de Educação das Infâncias, anexo à Escola Municipal Paulo Mendes Campos. Ele pediu que o poder público busque uma solução que atenda às demandas dos trabalhadores terceirizados.
As escolas oferecem atendimento em tempo integral, das 7h às 17h, permitindo que os responsáveis cumpram seus horários de trabalho. No entanto, devido à greve, as crianças estão sendo liberadas mais cedo, por volta das 11h30. “Agora, as famílias estão se dividindo entre avós, tios e outros para buscar os filhos. Aqueles que não conseguem, acabam não mandando as crianças para a escola”, relata Veras.
A situação impacta diretamente o aprendizado dos alunos. “Estamos vendo que isso resulta em perda de conteúdo e dificuldade no desenvolvimento acadêmico e interações sociais”, completa Veras.
Consequências para Alunos com Deficiência
Os alunos com deficiência estão enfrentando um desafio ainda maior devido à greve, já que os profissionais que ofereciam apoio especializado não estão mais presentes. Além disso, algumas crianças têm dificuldade em lidar com a ausência de figuras que fazem parte de sua rotina escolar. “Tem criança que não aceita ficar na escola sem o profissional que sempre cuidou dela”, afirma Veras.
Reivindicações dos Trabalhadores Terceirizados
Os trabalhadores em greve buscam segurança no emprego, especialmente diante da iminente troca da empresa responsável pelos contratos nas escolas municipais. Eles exigem garantias como o pagamento de verbas rescisórias em caso de transferência para outra empresa e a manutenção de direitos trabalhistas, incluindo a contratação via CLT.
Além disso, os profissionais pedem que a prefeitura reconheça a responsabilidade subsidiária nos contratos de terceirização e garantias de ajustes salariais condizentes com as novas diretrizes de contratação.
No que diz respeito ao suporte aos alunos e aos trabalhadores das cantinas, há preocupações de que mudanças contratuais possam acarretar em reduções salariais entre os colaboradores.
A Greve em Andamento
Iniciada após o Carnaval, a greve tem suas raízes na incerteza da categoria sobre a nova transição de contratos da MGS. No seu primeiro dia, cerca de 1,5 mil trabalhadores se reuniram na Praça Afonso Arinos, marchando em direção à sede da Prefeitura. Uma assembleia realizada na terça-feira (3/3) decidiu pela continuidade da paralisação, enquanto uma audiência de conciliação está marcada para esta quinta-feira (5/3).
A MGS, em nota, considera a greve abusiva, alegando que ofereceu aumentos acima da inflação e se mostrou aberta ao diálogo com os representantes sindicais. A empresa ainda ressalta que já solicitou à Justiça soluções para o conflito e que uma audiência pública ocorrerá nesta quinta-feira.
Enquanto a situação persiste sem resolução, os pais expressam sua preocupação com a situação. “Estamos vivendo as consequências dessa disputa trabalhista. As famílias se encontram em um estado de desespero”, lamenta Veras.
A Postura da Prefeitura
A Secretaria Municipal de Educação de Belo Horizonte (SMED) garante que não há escolas fechadas e que medidas estão sendo implementadas para compensar as ausências dos profissionais terceirizados e assim garantir que as atividades escolares prossigam. A secretaria afirma que está monitorando a greve e lidando com os relatos das unidades e famílias afetadas.
Além disso, a SMED está em discussões sobre a transição dos profissionais de apoio para um novo modelo de contratação, buscando acelerar a recomposição das equipes e assegurar um suporte adequado para os estudantes.
