Brigadistas Profissionais em Busca de Reconhecimento
Na última quarta-feira (11/3), brigadistas profissionais ocuparam o Plenário Camil Caram, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, em uma mobilização que buscou trazer à tona as precárias condições de trabalho enfrentadas por esses profissionais. Durante a audiência pública, promovida pela Comissão de Administração Pública e Segurança Pública a pedido do vereador Cleiton Xavier (MDB), os brigadistas clamaram por melhores salários, maior fiscalização nas escolas de formação e reconhecimento efetivo de seu papel na segurança pública. Esses trabalhadores atuam de forma complementar ao Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e, apesar de sua importância, relataram remunerações inadequadas, especialmente em grandes eventos.
“Esta é a terceira audiência que realizo, para destacar a relevância dos brigadistas e bombeiros civis, já que muitos na população de Belo Horizonte não conhecem bem a importância desses profissionais em diversos ambientes”, afirmou o vereador durante a reunião.
A Importância dos Brigadistas na Segurança Pública
Em sua solicitação, Cleiton Xavier destacou o papel fundamental dos brigadistas na prevenção de incêndios, no atendimento a emergências e na proteção de vidas e do meio ambiente. O vereador também apresentou um projeto de lei que visa obrigar a contratação de brigadistas profissionais para grandes eventos, através de um processo seletivo, o que, segundo ele, ajudará a valorizar a categoria, evitando que produtores paguem valores irrisórios, como R$ 80 por longas jornadas de trabalho. “É inaceitável que a qualificação técnica destes profissionais não seja devidamente reconhecida”, defendeu.
Na audiência, o vereador Sargento Jalyson (PL) enfatizou a importância da atuação dos brigadistas, afirmando que, embora a presença de Bombeiros Militares não seja viável em todos os 853 municípios de Minas Gerais, é essencial ter brigadistas preparados para agir antes da chegada do reforço. Cláudio do Mundo Novo (PL) também elogiou o trabalho dos brigadistas, enfatizando sua contribuição em eventos e durante tragédias climáticas.
Demandas por Reconhecimento e Condições de Trabalho
Helton de Castro, brigadista profissional, ressaltou a necessidade de um maior reconhecimento por parte do governo do estado. Ele destacou que os atendimentos realizados diariamente, como desengasgos e socorros a pessoas em crises, são fundamentais. “Estamos sempre prontos para agir, especialmente em áreas devastadas por enchentes. Queremos ser reconhecidos como um suporte essencial do Bombeiro Militar”, declarou.
Alguns participantes da audiência também expressaram preocupação com os baixos salários, jornadas extenuantes e a falta de alimentação adequada durante as atividades. O major da capelania da Polícia Militar, Gilmar Marcos, que já atuou como brigadista, revelou que, muitas vezes, eles são os primeiros a chegar e os últimos a sair dos eventos, havendo ocasiões em que têm que custear sua própria refeição, recebendo apenas um lanche mínimo.
Leandro Gomes, proprietário de uma escola de formação de brigadistas, afirmou que paga salários justos aos profissionais contratados, mas criticou a prática de empresas que contratam brigadistas por valores absurdos, variando de R$ 80 a R$ 100 para longas jornadas em pé.
Fiscalização e Formação de Brigadistas
O major do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, Magno Eloízio, mencionou um processo de “amadurecimento institucional”, destacando legislações estaduais e nacionais relevantes. Ele informou que a corporação está empenhada em fiscalizar irregularidades em todo o estado, mas reconheceu a dificuldade em ter conhecimento de todas as situações. Assim, pediu que os trabalhadores denunciassem qualquer irregularidade pelo telefone 181 (Disque Denúncia).
Além disso, foi discutida a má atuação de algumas instituições de formação de brigadistas. O brigadista André Benfica criticou a qualidade de algumas formações, descrevendo-as como “esdrúxulas” e sem preparo adequado. Gomes concordou, alegando que existem empresas que operam como escolas de brigadistas, mas que, na verdade, oferecem apenas um treinamento superficial.
Reconhecimento em Situação de Emergência
A atuação dos brigadistas profissionais de Belo Horizonte durante as enchentes que afetaram Ubá e Juiz de Fora foi um dos pontos elevados na discussão, onde foram amplamente elogiados por vereadores, representantes do Corpo de Bombeiros e outros órgãos. “Nem todos se voluntariam em situações de desastres naturais, abandonando o conforto de seus lares para ajudar os necessitados”, destacou o delegado da Polícia Civil, João Paulo Ladeira.
A audiência, embora tenha se encerrado com o tempo regimental, continuou com debates informais entre os presentes, evidenciando a relevância do tema abordado e a necessidade de ações imediatas para melhorar as condições de trabalho e o reconhecimento dos brigadistas profissionais.
