Renan Santos defende armas nucleares para garantir soberania
O candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, afirmou nesta quarta-feira (26) que o Brasil deve desenvolver armas nucleares para assegurar sua soberania, descartando a necessidade de estudos científicos para justificar a iniciativa. Em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, Renan destacou que não é preciso um estudo científico para afirmar que uma nação precisa ter força política para se defender.
Renan argumenta que, para ser reconhecido como uma das maiores nações do mundo, o Brasil precisa discutir sua soberania e capacidade nuclear. Embora reconheça que o país ainda não tenha condições de produzir uma bomba atômica a curto prazo, projeta essa possibilidade para o médio e longo prazo. A proposta, no entanto, confronta a Constituição Federal, que permite atividades nucleares apenas para fins pacíficos, e o Tratado de Não Proliferação Nuclear, assinado pelo Brasil em 1998.
Impactos institucionais e relações exteriores
O presidenciável minimizou possíveis impactos dessa decisão na relação com os Estados Unidos, afirmando que caberia a Washington negociar com o Brasil. Ele criticou a atual política externa brasileira, comparando o país a um “Zé Carioca do mundo”, um destino de festas, e destacou a necessidade de uma postura mais firme.
No campo da segurança pública, Renan Santos prometeu retomar territórios dominados por facções criminosas em até um ano de governo. Ao ser questionado sobre a intervenção federal no Rio de Janeiro, considerada um fracasso que custou R$ 1,2 bilhão e resultou na ampliação do domínio do crime organizado, chamou o cenário de uma “guerra unilateral” e defendeu uma “declaração de guerra contra o crime organizado”.
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Inspiração em modelo de segurança de El Salvador
Renan citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como inspiração para sua política de segurança. Ao ser questionado sobre denúncias de tortura e desaparecimentos no país centro-americano, afirmou não reconhecer os casos e classificou as acusações como um “clichê da mídia internacional”. Segundo a ONG Anistia Internacional, nos mais de três anos de estado de exceção em El Salvador, decretado em março de 2022 e renovado desde então, pelo menos 470 pessoas morreram sob custódia do Estado.
Apesar de negar identificação direta com Bukele, o candidato justificou falas anteriores sobre “banhos de sangue” dizendo que o “Brasil está implorando” por justiça diante das mortes violentas.
Controvérsias e posicionamentos sobre aliados e STF
Renan também se manifestou sobre o aliado Arthur do Val, deputado estadual paulista cassado após o vazamento de áudios com falas machistas durante viagem à Ucrânia em 2022. O candidato minimizou a gravidade do episódio, qualificando as declarações como “ruins” e “não adequadas”, mas justificou que foram feitas em ambiente privado.
Em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), Renan afirmou que, se eleito, descumprirá decisões que considerar ilegais. Como exemplo, citou uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que classificou como “grotesca” — a quebra de sigilo de fontes jornalísticas. “Decisão ilegal não se cumpre”, declarou.
Renan Santos adotou um tom mais formal em relação à estratégia usada no primeiro debate entre presidenciáveis, realizado no domingo (23), marcado pela ausência de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Na ocasião, Renan usou linguagem agressiva e fez ofensas aos ausentes, chamando-os de “cadelas” e “criminosos”. Ele também usou fraldas com os nomes dos dois para criticar a ausência, afirmando que se trata de covardia. Lula recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta dos ataques.
Sem direito à propaganda eleitoral gratuita, que começa nesta semana, Renan aproveita entrevistas, sabatinas e debates para se apresentar como alternativa a Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Ele foi o terceiro entrevistado no programa especial que começou na segunda-feira (24), após Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Nos próximos dias, Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Augusto Cury (Avante) também participarão do programa.
