Tragédia na Zona da Mata
Na noite deste sábado (28), o Corpo de Bombeiros localizou o corpo de um menino de nove anos, que estava desaparecido após o desabamento de uma casa no bairro Paineiras, em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira. As buscas foram encerradas após seis dias de intensos esforços das equipes de resgate. Este triste achado marca o fim de uma operação que mobilizou profissionais e voluntários em um momento de profunda dor para a comunidade.
De acordo com as informações fornecidas pelos bombeiros, a missão foi complexa devido à presença de duas rochas que dificultavam o acesso ao local exato onde a criança estava. A área, além de íngreme e instável, apresentava um grande número de rochas, o que tornava o trabalho ainda mais desafiador.
As equipes consideraram a necessidade de utilizar maquinário pesado para a remoção dos obstáculos, mas a falta de acesso adequado impediu essa alternativa. A tecnologia também foi empregada, com o uso de drones para monitorar as condições das rochas e avaliar riscos de novos deslizamentos. Inclusive, especialistas foram acionados para realizar desmonte de rochas utilizando produtos químicos, uma ação que evidenciou a seriedade da situação.
Em um outro incidente ligado ao mesmo desastre, na cidade vizinha de Ubá, os bombeiros encontraram na mesma noite o corpo de uma das vítimas das chuvas intensas que ocorreram na última semana. Apesar dos avanços, ainda falta localizar uma última pessoa que permanece desaparecida na região.
Os números atualizados da tragédia indicam um total de 72 mortes na Zona da Mata, sendo 65 somente em Juiz de Fora e 7 em Ubá. A situação é alarmante e exige esforços contínuos da Defesa Civil e das autoridades locais.
Previsão Climática e Medidas de Segurança
A previsão para os próximos dias aponta uma semana de estiagem na região. Embora a chuva deva retornar no final da semana, a expectativa é de que a intensidade seja menor do que a registrada anteriormente.
O tenente-coronel Wenderson Duarte, coordenador estadual adjunto da Defesa Civil de Minas Gerais, ressaltou que, apesar da diminuição das chuvas, a presença do sol pode causar movimentação no solo encharcado. Ele alertou a população para não retornarem a suas casas localizadas em áreas de risco. “O solo continua saturado, e a incidência de sol pode levar a uma secagem excessiva e, consequentemente, a deslizamentos. É vital que as pessoas permaneçam atentas e evitem essas regiões”, declarou.
Duarte também informou que a Defesa Civil realiza uma vistoria contínua nos imóveis da cidade, enfatizando que algumas estruturas, mesmo que tenham permanecido intactas, podem ser demolidas para evitar que os antigos moradores voltem a áreas perigosas. Atualmente, mais de 4,2 mil pessoas estão fora de suas residências em Juiz de Fora, o que reflete a gravidade da situação enfrentada.
A tragédia em Juiz de Fora e nas cidades vizinhas é um lembrete da força da natureza e dos riscos que podem surgir em momentos climáticos extremos. As autoridades continuam alertas e trabalham para garantir a segurança da população, enquanto a comunidade se une em busca de apoio e solidariedade neste momento difícil.
