Aporte em Empresa Envolvida com o Crime Organizado
Um novo desdobramento nas investigações da Polícia Federal revela que a empresa Super estaria envolvida em um esquema de crimes financeiros e lavagem de dinheiro, operado por uma organização criminosa liderada por Vorcaro. Recentemente, o cunhado de Vorcaro, identificado como Zettel, fez um aporte impressionante de R$ 48,5 milhões na referida empresa, com o intuito de realizar um adiantamento para futuro aumento de capital (AFAC). Essa manobra permite que dinheiro seja transferido para a empresa sem a obrigatoriedade de pagamento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que é exigido quando há um aumento formal do patrimônio social da companhia.
Informações da Junta Comercial do Estado de São Paulo indicam que Zettel assumiu a diretoria da Super entre 2021 e 2024. A declaração de Imposto de Renda dele, apresentada em 2022, foi requisitada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado à Receita Federal, o que coloca mais lenha na fogueira sobre sua ligação com atividades ilícitas.
Até 2022, Zettel declarou um patrimônio de R$ 189 milhões, oriundo principalmente de imóveis e participações na Super. Curiosamente, no mesmo ano, ele adquiriu bens avaliados em R$ 15 milhões, incluindo relógios e joias. O que chama a atenção é o crescimento quase triplo de seu patrimônio, que pulou de R$ 67,4 milhões para R$ 189,7 milhões entre 2021 e 2022. Também é relevante mencionar que Zettel declarou ter faturado R$ 139 milhões em 2022 através de lucros advindos de seu escritório de advocacia, além de ter contribuído com R$ 5 milhões para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A história ganha contornos mais sombrios quando se considera a figura de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que foi preso durante a Operação Compliance Zero. Esta operação investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. Sicário, segundo as investigações, desempenhava um papel crucial na organização criminosa, supervisionando atividades como monitoramento de alvos, extração ilegal de dados e intimidações físicas, funcionando como um “longa manus” de Vorcaro, o que acentuava a natureza violenta da organização.
Os investigadores relatam uma “dinâmica violenta”, corroborada pelas comunicações entre Vorcaro e Mourão, além de indícios de que Mourão recebia uma remuneração de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro para realizar atividades ilícitas. Esse cenário não só ilustra a gravidade das acusações, mas também levanta questões sobre a ligação entre o mundo dos negócios e o crime organizado.
