O tempo e a arte de Alceu Valença
“O tempo se dilata como um fio, cordão, elástico, caminho… estrada que nos transporta.” Essa é a visão poética que Alceu Valença compartilha em sua canção “Samba do Tempo”, onde o tempo não é linear, mas sim um elemento maleável que acompanha os caminhos da vida. O cantor e compositor, que completa 80 anos no dia 1º de julho, prefere se identificar com o número 8, símbolo da agilidade e da energia que mantém viva sua trajetória artística.
Natural de São Bento do Una, no Agreste pernambucano, Alceu tem uma carreira marcada pela inovação e pela recusa em se encaixar em definições fixas. Com a turnê “80 Girassóis”, ele circula pelo Brasil e também pela Europa, apresentando um espetáculo que é mais que uma simples festa de aniversário: é uma autobiografia em movimento que entrelaça música, cinema, literatura, fotografia e artes visuais.
Uma vida de múltiplas paixões
Desde criança, Alceu combinou diferentes interesses. Aos 12 anos, foi atleta na seleção juvenil pernambucana de basquete e chegou a jogar contra os Harlem Globetrotters. Paralelamente, era um leitor voraz, sempre com um livro em mãos. Essas duas facetas – o esportista e o intelectual – formaram a base de sua personalidade criativa.
Na juventude, dividia seu tempo entre os estudos e a leitura de grandes autores brasileiros como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e seu tio, o poeta Geraldo Valença. Durante a faculdade de Direito na Universidade Federal de Pernambuco, escreveu poemas e aprofundou seu amor pela literatura. Embora tenha atuado brevemente na advocacia, percebeu que seu verdadeiro caminho estava na arte, deixando as leis para trás no início dos anos 1970.
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“80 Girassóis”: um espetáculo que atravessa memórias e culturas
O show “80 Girassóis” é uma celebração sensorial que reúne fotos raras guardadas por sua mãe, obras de artistas plásticos de Olinda e projeções visuais criadas especialmente para a turnê. O espetáculo reflete toda a trajetória de Alceu, desde as raízes no baião de São Bento do Una até a influência do frevo recifense e o toque cosmopolita que o conecta ao mundo.
Alceu comenta que participou ativamente de cada detalhe do espetáculo, incluindo roteiro, projeções e concepção visual. O resultado é uma experiência quase cinematográfica, onde cada cena e canção se conectam para contar uma história de vida intensa e multifacetada.
Minas Gerais no coração da trajetória artística
Belo Horizonte e Minas Gerais ocupam um lugar especial na história do artista. Foi na capital mineira que ele compôs “Solidão”, uma das canções mais pessoais do álbum “Mágico” (1984). A inspiração veio após um show no Palácio das Artes, numa noite em que a insônia o acompanhou até encontrar a solidão da rua, da lua e de si mesmo.
Além disso, a parceria com a Orquestra Ouro Preto acrescenta uma camada única à celebração. Alceu destaca a sintonia especial com o grupo, que o faz sentir-se parte de uma família musical. Essa conexão é um dos pontos altos da turnê, reafirmando a disposição do artista em experimentar e inovar.
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Tradição e festa: São João e Carnaval
Elementos culturais como o São João e o Carnaval são energias vitais para Alceu Valença e ganham destaque no espetáculo. Ao interpretar “Coração Bobo”, ele revive a memória de Jackson do Pandeiro e toda uma época de festividades e ritmos que marcaram sua formação musical.
Mesmo ao completar oito décadas, Alceu mantém a inquietude e a vitalidade de um jovem artista, celebrando a vida e a arte com a mesma intensidade dos seus primeiros passos na música.
Detalhes do show em Belo Horizonte
O espetáculo “Alceu Valença: 80 Girassóis” acontece no sábado, 20 de junho, às 22h, no BeFly Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). Uma oportunidade única de vivenciar a trajetória e a energia de um dos grandes nomes da música brasileira em uma apresentação que promete emocionar e surpreender.
