Vereadora Flávia Borja Critica Eleição de Erika Hilton
A recente eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados gerou um intenso debate na Câmara Municipal de Belo Horizonte. A vereadora Flávia Borja (DC) anunciou sua intenção de protocolar uma moção de repúdio destinada ao Congresso, questionando a legitimidade da deputada à frente do colegiado. Flávia expressou sua preocupação com o fato de Hilton ser uma mulher trans, o que, segundo ela, comprometeria a representação e as políticas públicas voltadas à defesa dos direitos das mulheres.
Durante seu discurso no plenário da Câmara, Flávia Borja manifestou seu descontentamento, afirmando que a presença de Erika à frente da Comissão não é meramente simbólica, mas tem implicações diretas nas políticas que irão afetar as mulheres. Ela argumentou que a deputada não tem experiência vivencial como mulher, citando questões específicas como a falta de menstruação e a impossibilidade de gerar filhos, colocando em dúvida a capacidade de Erika em compreender as necessidades de políticas públicas para o gênero feminino.
“Como uma pessoa que não menstrua, que não engravida, pode definir políticas públicas para este país?” indagou Flávia, levantando questões que, segundo ela, deveriam ser consideradas na hora de escolher uma liderança para a Comissão.
Críticas e Respostas ao Discurso de Flávia
A vereadora não se limitou a criticar a eleição de Erika; ela também fez comparações com a segurança em presídios femininos, sugerindo que a presença de mulheres trans pode representar um risco para as mulheres cisgênero. Flávia afirmou que as mulheres estão perdendo espaço em várias esferas, desde os esportes até privacidade em banheiros, e enfatizou que as mulheres do sistema prisional enfrentam situações preocupantes ao dividirem celas com pessoas trans.
Após o discurso de Flávia, a Itatiaia buscou informações com o governo de Minas Gerais sobre registros de incidentes semelhantes em presídios femininos, mas ainda não obteve resposta.
A correligionária de Erika, Iza Lourença (PSOL), não hesitou em repudiar as declarações de Flávia Borja. Em uma manifestação pública, Iza lamentou a preocupação da vereadora com a presidência da Comissão, enquanto a sociedade enfrenta sérios problemas como feminicídio e violência contra mulheres. Iza declarou: “Erika Hilton é uma mulher, mulheres trans existem, queiram vocês ou não. Estou desolada que a vereadora tenha ficado triste”.
Erika Hilton e sua Representatividade
A deputada Erika Hilton, que é uma das vozes mais ativas na defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras no Congresso Nacional, também tem se destacado pela luta contra a violência de gênero. Sua proposta de Emenda à Constituição (PEC) visa proibir o fim da jornada 6×1, questão que afeta muitas mulheres que dependem desse emprego para sustentar suas famílias. Iza Lourença ressaltou que muitas mulheres que enfrentam essa jornada extenuante precisam arcar com altos custos para cuidar de sua saúde, evidenciando a relevância de Erika na política.
Durante a sessão do dia, a Comissão de Mulheres da Câmara Municipal, presidida pela vereadora Juhlia Santos (PSOL), manifestou solidariedade à deputada Erika Hilton, destacando que a luta contra a transfobia não será um obstáculo para o compromisso com a pauta das mulheres. “Nosso compromisso não será barrado pela transfobia. A pauta das mulheres é muito cara para nós, tanto na composição de políticas públicas quanto na fiscalização”, observou Juhlia, que é a única mulher trans eleita nessa legislatura em Belo Horizonte.
Erika, após ser eleita para a Comissão, tornou-se alvo de ataques transfóbicos, sendo um dos episódios mais notórios um comentário do apresentador Ratinho, que, em um programa de televisão, afirmou que Erika não seria uma mulher digna de chefiar o colegiado. Esse tipo de discriminação e hostilidade apenas acrescenta camadas à complexa discussão sobre identidade de gênero e representação feminina na política brasileira.
