Iniciativa de Cooperação Acadêmica
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está à frente de um projeto ambicioso que une universidades públicas de diversas partes do Brasil em uma nova rede de cooperação acadêmica, focada na internacionalização da pós-graduação nacional. Essa iniciativa reúne 170 programas de mestrado e doutorado e foi selecionada em um edital nacional que visa a formação de consórcios entre instituições de ensino superior.
Intitulada Rede Inter-Nós: Saberes Interconectados – Pesquisa, Inovação e Inclusão no Enfrentamento de Desafios Globais, a proposta está entre as 23 iniciativas que passaram pela etapa preliminar do programa Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) Global.edu. O edital tem como objetivo fomentar redes que possam desenvolver práticas estratégicas de pesquisa e pós-graduação em colaboração com instituições internacionais. O resultado final da seleção deve ser divulgado até o final de março.
Colaboração entre Instituições de Ensino
Além da UFMG, a rede conta com a participação da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Estas instituições oferecem programas de pós-graduação em diversas áreas e regiões do Brasil, o que visa aumentar a presença internacional da produção científica brasileira.
A proposta de colaboração se baseia na crença de que universidades com maior experiência em internacionalização podem apoiar aquelas que ainda estão desenvolvendo seu potencial nesse aspecto. De acordo com Isabela Almeida Pordeus, pró-reitora de Pós-graduação da UFMG, a estratégia busca expandir o alcance da internacionalização no sistema universitário brasileiro.
Ela enfatiza que o modelo é voltado para o compartilhamento de experiências institucionais e a construção de mecanismos colaborativos que fortaleçam as relações acadêmicas com o exterior. “Esta iniciativa não se trata apenas de levar a internacionalização para o interior do país, mas sim de criar uma rede que será uma experiência enriquecedora para instituições com menor vivência nas relações internacionais”, afirma.
Reduzindo Desigualdades Regionais
Com a criação dessa rede, há uma esperança de aumentar a participação de pesquisadores e programas que estão situados fora dos grandes centros científicos do Brasil. Sandra Goulart Almeida, reitora da UFMG, ressalta que o projeto visa mitigar as desigualdades regionais na produção científica, ampliando o acesso de pesquisadores a redes internacionais de conhecimento. “É essencial que mais instituições brasileiras se tornem reconhecidas como universidades de classe mundial, promovendo uma descentralização estratégica que ajude a reduzir as disparidades regionais na produção científica”, enfatiza.
Estratégias de Internacionalização
Entre as ações planejadas pela rede estão intercâmbios acadêmicos, tanto nacionais quanto internacionais, além de iniciativas de formação intercultural que não exigem mobilidade física. O projeto inclui a criação de cursos bilíngues, seminários internacionais virtuais e plataformas de pesquisa colaborativa, visando aumentar a participação de pesquisadores e estudantes em atividades internacionais, diminuindo os custos envolvidos nos deslocamentos.
Aziz Saliba, diretor de Relações Internacionais da UFMG, destaca que o programa pode facilitar a circulação de pesquisadores e fortalecer parcerias institucionais que já existem. “A iniciativa deve auxiliar na mobilidade de pesquisadores, estreitar relações com parceiros internacionais e fortalecer a produção científica”, conclui.
Atualmente, a UFMG mantém cerca de 300 parcerias acadêmicas espalhadas por 65 países, o que demonstra seu comprometimento com a internacionalização e a colaboração global na pesquisa.
