Desafio da Alta de Preços
O constante aumento nos preços dos alimentos tem forçado tanto consumidores quanto empresários do setor alimentício em Belo Horizonte a implementarem novas estratégias para equilibrar seus orçamentos. Itens essenciais, como arroz, feijão, carnes e legumes, estão cada vez mais caros, levando muitos a fazerem pesquisas de preços em diferentes supermercados para economizar.
No contexto dos restaurantes, o desafio se torna ainda mais complexo. Proprietários de estabelecimentos precisam encontrar formas de evitar que esses custos sejam integralmente repassados aos clientes. Saulo Vidigal, que comanda um restaurante no bairro Padre Eustáquio, na região Noroeste de BH, é um exemplo disso. Ele relata que a adaptação do cardápio e a priorização dos ingredientes da estação têm sido fundamentais.
“Ano após ano, os preços têm aumentado consideravelmente, e precisamos nos reinventar, criando novas receitas e pratos com ingredientes sazonais. Quando o preço de uma carne sobe, procuramos substituições. Fazemos uma análise constante dos legumes, substituindo aqueles que ficaram mais caros”, explica Vidigal.
Medidas Internas para Redução de Custos
Além da adaptação do cardápio, o empresário implementou várias medidas internas para otimizar a operação e manter os preços acessíveis. “A última vez que aumentamos os preços foi no início do ano passado. Temos um olhar atento sobre nossa operação, buscando sempre reduzir custos e fazer compras mais inteligentes. Realizamos cotações com três a quatro fornecedores para cada produto”, acrescenta.
Ele também menciona a introdução do modelo de autosserviço, onde os clientes se servem para diminuir a necessidade de atendimento presencial, evitando assim o repasse de custos adicionais.
Estratégias do Setor Alimentício
Carla Rocha, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), destaca que as mudanças no cardápio são uma das principais estratégias para lidar com os altos preços dos insumos. “O cardápio é essencial. É por meio dele que os empresários podem entender como reduzir custos, preservando a qualidade dos pratos. A utilização de alimentos que ajudam na diminuição dos custos é uma estratégia eficaz”, ressalta.
Ela enfatiza que planejamento e criatividade são vitais para a sustentabilidade do negócio. “Com planejamento, gestão estratégica e inovação, é possível proteger a margem de lucro, manter a competitividade e oferecer qualidade ao cliente sem precisar repassar todos os aumentos de preço”, conclui.
Impactos no Mercado de Delivery
A alta nos preços dos ingredientes também afeta o setor de delivery, que enfrenta a necessidade de se adaptar para manter a clientela em um cenário de intensa concorrência entre aplicativos. Segundo Ivon Mascarenhas, sócio da Orion, empresa que oferece espaços em Belo Horizonte para negócios focados em entregas, o impacto da alta pode ser ainda mais severo nesse formato de venda.
Ele ainda alerta para as taxas cobradas pelos aplicativos de entrega, que contribuem para a elevação dos preços. “As plataformas como iFood e 99, que cobram taxas para seus serviços, tornam a situação ainda mais difícil. Quando um restaurante tem um aumento de R$ 1 no preço do feijão, esse valor é ampliado pelas taxas do aplicativo, o que pode resultar em um aumento final próximo do dobro para o cliente”, finaliza.
