Decisão Judicial e Medidas de Segurança
A servidora da Polícia Civil, Vanessa de Lima Figueiredo, de 44 anos, foi alvo de uma decisão da 4ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte, que determina o uso de monitoramento eletrônico. Ela é acusada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) de peculato, com a suspeita de ter se apropriado de cerca de 200 armas, além de dinheiro e outros itens que estavam sob sua responsabilidade na sala de acautelamento da 1ª Delegacia de Polícia Civil do Barreiro.
Conforme a determinação judicial, Vanessa deverá permanecer dentro do perímetro urbano da capital mineira e não pode se ausentar por mais de oito dias. Além disso, a servidora foi ordenada a entregar seu passaporte, uma vez que está proibida de deixar o país.
Passagem Internacional Levanta Suspeitas
A decisão pela monitoração eletrônica surgiu após a revelação de que, no dia 24 de outubro de 2025, a ré adquiriu uma passagem aérea com destino a Miami, nos Estados Unidos, com partida marcada para 20 de março de 2026. Essa data coincide com a proximidade da Audiência de Instrução do processo, o que gerou preocupações sobre uma possível intenção de fuga.
O MPMG argumentou que essa passagem evidenciava uma clara disposição de evasão das responsabilidades legais, o que poderia comprometer a aplicação da lei penal. O juiz Bruno Sena Carmona, embora a reserva da passagem tenha sido cancelada, enfatizou que isso não elimina a preocupação com a possibilidade de fuga. “O cancelamento, por si só, não exclui a preocupação deste juízo, pois demonstra que a possibilidade de se ausentar do país era um plano concreto”, observou.
Risco de Fuga e Medidas de Segurança
O magistrado ressaltou que a gravidade das acusações, somada ao potencial lesivo da conduta de Vanessa, justifica a adoção de medidas rigorosas de supervisão. O juiz considerou as restrições à liberdade de locomoção, como a proibição de deixar o país e a retenção do passaporte, como adequadas e suficientes para garantir que a ré permaneça à disposição da Justiça, sem que isso represente um cerceamento excessivo de seus direitos.
A Itatiaia tentou obter uma posição da defesa de Vanessa, mas até o momento não recebeu retorno. A reportagem será atualizada assim que novas informações forem disponibilizadas.
Acusações de Desvio de Materiais
Além da questão do monitoramento, a servidora foi denunciada pelo MPMG por se apropriar de dinheiro, armas de fogo e outros itens sob custódia da delegacia. As investigações revelaram que, entre os dias 20 e 29 de outubro, a acusada, juntamente com outra servidora, tinha acesso exclusivo à sala destinada à guarda de armas e valores apreendidos em operações policiais.
O controle de recebimento e guarda dos materiais era feito por meio de recibos eletrônicos. Frequentemente, Vanessa era a responsável pela entrada dos objetos, sem registros que indicassem o repasse para outros integrantes da equipe. Em 29 de outubro de 2025, foi realizado um inventário para verificar os materiais sob custódia da delegacia, onde se constatou o desaparecimento de aproximadamente 200 armas, além de quantias em dinheiro e outros itens. Alguns invólucros foram encontrados abertos e vazios, evidenciando a gravidade da situação.
Após a prisão de Vanessa em 19 de novembro de 2025, ela permanece em liberdade provisória desde 13 de fevereiro de 2026.
