O que muda com a criação da Bradsaúde?
A recente formação da Bradsaúde, conforme especialistas, não deve implicar em mudanças drásticas imediatas para os consumidores. Entretanto, o novo conglomerado pode trazer repercussões nos preços dos serviços de saúde no futuro. A expectativa é que, com essa fusão, haja um rateio dos custos e uma ampliação na cobrança de co-participação nos planos de saúde, o que pode repercutir negativamente no bolso dos usuários.
As operadoras Bradesco Saúde e Odontoprev continuarão a operar com seus portfólios e contratos próprios. Carlos Marinelli, CEO da Bradsaúde, confirmou que as condições contratuais e a rede credenciada permanecem inalteradas. “Os produtos comercializados se mantêm, com suas respectivas coberturas e condições”, afirmou Marinelli, em nota.
Alterações nas carteirinhas e na rede credenciada
Uma dúvida que permanece no ar é se os beneficiários precisarão trocar suas carteirinhas após essa incorporação. Marinelli não esclareceu essa questão, mas enfatizou que a criação da Bradsaúde não modificará a experiência dos usuários com os planos já existentes. Assim, não há previsão de uma unificação dos produtos, o que é um alívio para quem já possui um plano.
Quanto à rede credenciada, a expectativa é que se mantenha a mesma, sem alterações significativas nas coberturas e condições contratuais. Essa estabilidade é crucial para os consumidores que buscam garantir a continuidade do acesso aos serviços de saúde.
Expectativas sobre o aumento de preços
Embora a Bradsaúde assegure que as condições dos planos não sofrerão alterações, especialistas, como Ligia Bahia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estão céticos quanto a isso. Segundo ela, a consolidação tende a reduzir a competitividade no setor, o que pode provocar um aumento nos preços dos serviços de saúde a médio e longo prazo.
Bahia alerta que esses movimentos estão se tornando comuns entre grupos econômicos de saúde e que, embora os impactos não sejam imediatos, eles podem levar a um aumento significativo nos preços. “As mudanças muitas vezes acabam restringindo o acesso aos planos de saúde, gerando uma migração dos usuários para opções mais baratas e menos abrangentes”, argumentou a especialista.
Alternativas de verticalização no mercado de saúde
No entanto, alguns analistas apontam que a estratégia de verticalização, promovida por conglomerados como a Bradsaúde, pode ser uma alternativa para reduzir custos. Isso, em tese, poderia resultar em reajustes menores para os consumidores. A verticalização pode proporcionar economias operacionais que, idealmente, beneficiariam os usuários na forma de preços mais acessíveis.
Regulação e reajustes nos planos de saúde
Um aspecto importante a considerar sobre os reajustes nos planos de saúde é que eles acontecem anualmente, geralmente no mês de aniversário do contrato, e têm como objetivo repor os custos médicos e hospitalares. Para planos individuais ou familiares, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determina um teto máximo para os reajustes.
Já nos planos coletivos, que representam uma grande parte do mercado, o aumento não é fixado pela ANS, mas sim negociado entre a operadora e a empresa contratante. Isso resulta em uma variação que pode ser mais alta do que a dos planos individuais. De acordo com Marina Paullelli, do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), o setor de saúde tem avançado em modelos verticalizados, mas a regulação ainda está aquém do necessário para proteger os consumidores adequadamente.
Uma pesquisa realizada pelo Idec em 2023 revelou que os planos coletivos correspondem a 80% do mercado e que os reajustes nas mensalidades desses planos foram quase duas vezes maiores do que os dos planos individuais nos últimos cinco anos. Esses dados destacam a necessidade de uma regulação mais eficaz para garantir a proteção dos consumidores e a investigação contínua dos impactos das recentes consolidações no setor.
