Mobilização Estadual para Enfrentar Arboviroses
As intensas chuvas que atingiram Minas Gerais nos últimos dias destacam a urgência das iniciativas de prevenção contra doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya. Nesse contexto, o Dia D, programado para o último sábado (28/2), mobilizou ao menos 814 cidades como parte da estratégia contínua do Governo de Minas, através da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), no combate às arboviroses.
Essa mobilização, que já estava agendada no calendário da SES-MG, se insere na campanha Minas Unida contra o Aedes, que integra medidas de prevenção, vacinação e investimentos tecnológicos. O objetivo é reduzir a circulação do vírus em todo o estado mineiro.
No dia 24 de fevereiro, a SES-MG emitiu um alerta epidemiológico, fornecendo orientações tanto aos serviços de saúde quanto à população sobre os riscos sanitários decorrentes das chuvas. O documento ressalta o aumento do potencial de novas focos do mosquito, enfatizando a necessidade de intensificar ações de vigilância, controle e mobilização comunitária.
Segundo Eduardo Prosdocimi, subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, os investimentos do estado tornam Minas uma referência nacional no combate às arboviroses. “Minas Gerais se destaca em investimento e inovação no enfrentamento a essas doenças. Anualmente, cerca de R$ 210 milhões são aplicados em vigilância e controle, resultando em uma redução de mais de 90% nos casos confirmados de dengue de 2025 em comparação com 2024”, afirmou.
Engajamento Municipal e Ações de Conscientização
O Dia D, com foco na conscientização e prevenção, ocorreu em 28 Unidades Regionais de Saúde, abrangendo mais de 95% dos municípios de Minas Gerais. A participação de agentes de saúde, da população e do governo foi fundamental para a realização de mutirões de limpeza, recolhimento de materiais que acumulam água parada e atividades educativas, além da distribuição de orientações sobre como eliminar focos do mosquito transmissor.
Em São Sebastião do Paraíso, localizado no Sul de Minas, um mutirão de limpeza está programado para o bairro São Judas Tadeu, uma das áreas com maior número de notificações de dengue. O evento incluirá a distribuição de materiais educativos, carro de som e atividades de conscientização junto à comunidade. “Mais uma vez, nosso município participará ativamente com panfletos distribuídos pelos escoteiros e um grande mutirão contra a dengue”, comentou Luciano Santana, coordenador municipal de Zoonoses.
Além das ações de campo, diversas cidades estão mantendo salas de vacinação abertas, especialmente voltadas para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. A vacina contra a dengue está disponível em todos os 853 municípios mineiros, sendo essencial para prevenir casos graves e internações.
“O Dia D também é uma oportunidade para atualizar a caderneta de vacinação, tanto para a dengue quanto para outras vacinas oferecidas pelo SUS. Minas é líder em campanhas de imunização e está avançando na recuperação das coberturas vacinais”, completou Prosdocimi.
Inovação Tecnológica no Combate ao Aedes aegypti
Minas Gerais se tornou o primeiro estado a utilizar drones para monitorar focos do Aedes aegypti, solidificando sua posição como referência nacional em tecnologia aplicada ao controle vetorial. Essa ferramenta auxilia o trabalho dos agentes comunitários de endemias, melhorando a identificação de criadouros em áreas de difícil acesso. Com um investimento de aproximadamente R$ 30 milhões na Política Vigidrones, o monitoramento se estende por quase todo o território mineiro e fortalece a resposta rápida em áreas de maior risco.
De acordo com Renato Mafra, diretor operacional da Tech Dengue, responsável pelo monitoramento em cerca de 700 municípios, a aplicação de tecnologia representa um avanço crucial. “Os drones são eficazes para localizar focos em locais elevados, fechados ou de difícil acesso, aumentando a efetividade das ações de campo”, explicou.
Cenário Epidemiológico Atual em Minas Gerais
Até o dia 26 de fevereiro, Minas Gerais havia registrado 4.689 casos confirmados de dengue, com três óbitos. No mesmo período, foram confirmados 1.183 casos de chikungunya, sem mortes. Quanto à zika, dois casos foram confirmados, sem registro de óbitos.
