Estratégia para a Reeleição de Lula
O ex-presidente Lula está mobilizando sua equipe para a campanha de reeleição, com informações obtidas pelo Valor Econômico indicando que o núcleo central será liderado por Edinho Silva, presidente nacional do PT, além de Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom), e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência. Esta estrutura segue a tradição do partido, onde o líder da sigla tem a função de coordenador-geral da campanha presidencial.
Conforme fontes próximas ao Palácio do Planalto, a expectativa é que Sidônio se afaste de seu cargo em julho, quando a campanha for oficialmente lançada, a fim de retomar suas atividades como marqueteiro, função que já exerceu com sucesso em 2022. Atualmente, a pré-campanha é coordenada pelo publicitário Raul Rabelo, que possui uma longa parceria com Sidônio e já trabalhou na campanha de Fernando Haddad em 2018.
Muitos dos cargos de coordenação na campanha, embora importantes, não são considerados oficiais, o que leva Boulos a não planejar sua saída do ministério. Seu time de assessores comentou que ele seguirá as leis eleitorais, que proíbem servidores públicos de fazer campanha durante o horário de trabalho — uma regra aplicável também a Lula e outros governadores que buscam reeleição.
Edinho Silva, por sua vez, afirmou que as funções específicas dentro da campanha ainda não estão definidas e que, neste momento, está focado na organização dos palanques estaduais em todo o Brasil.
Comitê Central e Logística da Campanha
Uma das facilidades propostas pelo governo para a campanha de Lula é que o comitê central será instalado em Brasília. Essa decisão visa otimizar o deslocamento do presidente para reuniões e gravações de material publicitário durante o período eleitoral. Essa estratégia já havia sido utilizada nas campanhas de reeleição de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2014.
Quanto ao cenário em São Paulo, Fernando Haddad, que é um forte candidato ao governo estadual ou até mesmo ao Senado, manifestou interesse em ajudar na campanha sem se lançar a um cargo eletivo. Ele poderia, assim, atuar como coordenador do programa de governo, função que foi desempenhada em 2022 por Aloizio Mercadante, atual presidente do BNDES.
No entanto, líderes do PT relataram que Lula deseja que Haddad concorra ao governo de São Paulo e não aceita uma eventual candidatura ao Senado. O ex-presidente acredita que Haddad é essencial para garantir um palanque competitivo no principal colégio eleitoral do país.
Possíveis Candidaturas no Nordeste
Além das movimentações em São Paulo, outros nomes estão sendo cogitados para a coordenação da campanha no Nordeste. Os ministros Wellington Dias, do Desenvolvimento Social, e Camilo Santana, da Educação, são considerados como possíveis coordenadores na região. Dias, que foi coordenador da campanha no Nordeste em 2022, comentou ao Valor que ainda não há definição sobre essas atribuições e que as decisões serão tomadas após o prazo de desincompatibilização em 4 de abril, data limite para que os candidatos deixem cargos públicos antes da eleição de outubro.
Ele acrescentou que, embora permaneça à frente do ministério, está disposto a colaborar com a campanha, caso seja solicitado. Camilo, por sua vez, informa que deixará o MEC no fim de março e estará à disposição de Lula, apesar de não confirmar que assumirá uma função de coordenação regional. Essas movimentações refletem o esforço contínuo do PT para organizar uma campanha sólida e competitiva nas próximas eleições.
