Tecnologia inédita de refino de lítio em teste na Austrália
A PLS está realizando testes com uma tecnologia inovadora de refino intermediário de lítio na Austrália, que pode ser aplicada no Projeto Colina, localizado em Salinas, no Norte de Minas Gerais. Essa tecnologia utiliza calcinação elétrica para transformar concentrado de espodumênio em fosfato de lítio, matéria-prima essencial para baterias de íon-lítio. Atualmente, a tecnologia está em fase de validação em uma planta demonstrativa inaugurada recentemente.
Possível implantação no Brasil e apoio financeiro
Há pouco mais de um ano, o Diário do Comércio já havia informado sobre a construção da unidade demonstrativa e a possibilidade de trazer essa tecnologia para o Brasil em escala industrial. Leandro Gobbo, vice-presidente da PLS no País, revelou que há discussões internas para essa finalidade. Em entrevista durante o Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, realizado em Belo Horizonte, a diretora de Assuntos Corporativos e Sustentabilidade da PLS, Marisa Cesar, confirmou que a implantação no Brasil é uma hipótese, mas destacou que ainda não há garantias. O investimento depende dos resultados da planta demonstrativa, das análises financeiras e de outros fatores em avaliação.
Marisa Cesar também informou que a PLS já recebeu sinal verde do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para financiamento nacional, caso decida construir a planta de calcinação elétrica no Brasil. Além disso, a empresa conta com oportunidades de financiamento internacional.
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Impactos da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos
A diretora destacou que o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), em tramitação no Senado Federal, permitirá uma análise mais detalhada sobre a implantação da tecnologia em Salinas. A proposta prevê benefícios escalonados para empresas que instalarem unidades de refino no Brasil, o que pode favorecer a PLS em sua decisão.
Aumento do valor agregado e redução de emissões
A tecnologia de calcinação elétrica testada pela PLS tem potencial para aumentar significativamente o valor agregado do produto extraído da mina e reduzir as emissões de carbono no processo de refino. A planta demonstrativa recebeu apoio financeiro dos governos australiano e da Austrália Ocidental, reforçando a relevância da inovação.
Segundo Marisa Cesar, a calcinação elétrica pode elevar cerca de oito vezes o teor de lítio do concentrado de espodumênio, que na operação de Pilgangoora possui pouco mais de 5% de óxido de lítio. Quando alimentada por eletricidade renovável, essa tecnologia elimina o uso de combustíveis fósseis na etapa tradicional de calcinação do lítio em rocha dura, reduzindo a intensidade das emissões relacionadas à energia.
A diretora ressaltou ainda que o Brasil apresenta vantagens competitivas devido à sua matriz elétrica majoritariamente limpa, o que pode favorecer a adoção dessa tecnologia no país.
Estudo de viabilidade e perspectivas para o Projeto Colina
A PLS planeja concluir o estudo de viabilidade do Projeto Colina no último trimestre de 2027. Desde a aquisição do projeto da Latin Resources no início de 2025, o escopo está sendo revisado para incluir um aumento no quantitativo de recursos minerários. A expectativa é iniciar as obras de implantação em 2028.
Marisa Cesar explicou que a empresa está investindo fortemente na exploração de novos alvos, o que deve alterar a configuração do projeto. Além da planta, a PLS avalia ampliar a capacidade de processamento de concentrado e desenvolver processos químicos, que ainda estão em estudo e poderão ser implementados no Brasil caso a decisão seja confirmada.
