O Despertar para a Ciência
A trajetória de Soraya Soubhi Smaili, professora e pesquisadora reconhecida, começou de maneira surpreendente. Aos dez anos, ela montou seu primeiro microscópio com peças de uma coleção de fascículos. Para ela, a microscopia representa a capacidade de decifrar o mundo que nos cerca. “A microscopia é como se você fosse o cérebro decodificando as estruturas, usando uma lupa”, revela. Hoje, Soraya é titular na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Formada em Farmácia-Bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP), possui mestrado, doutorado e livre-docência em Farmacologia pela Unifesp. Sua especialização em microscopia de organismos vivos a levou a coordenar pesquisas relevantes ligadas a doenças como câncer e neurodegenerativas.
Desafios e Conquistas na Unifesp
Ao longo de sua carreira, Soraya não apenas se destacou em suas pesquisas, mas também em sua atuação na gestão universitária. Em 2013, ela se tornou a primeira mulher a assumir a reitoria da Unifesp, cargo que ocupou até 2021. Durante sua gestão, um dos principais desafios foi reorganizar a universidade após um expressivo crescimento, garantindo que a qualidade do conhecimento produzido fosse mantida. “Conseguimos criar uma cultura de planejamento e desenvolvimento, essencial para uma universidade de excelência”, comenta. O resultado foi a ampliação das áreas de atuação e o fortalecimento da pesquisa.
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O Papel das mulheres na ciência
Na entrevista concedida ao Sesc Vila Mariana, Soraya abordou a presença feminina na ciência. Apesar do aumento do número de mulheres nas áreas científicas, ainda há uma baixa representatividade em cargos de gestão. Ela destaca a importância de visibilizar o trabalho de suas colegas e criar oportunidades. “Quando uma mulher ocupa um cargo de liderança, é fundamental que ela ajude a destacar outras mulheres competentes”, afirma. Durante sua gestão, 70% dos cargos de liderança foram ocupados por mulheres, uma conquista significativa para a igualdade de gênero na academia.
A Importância da Divulgação Científica
Soraya também é uma defensora da divulgação científica e destaca sua relevância no combate à desinformação. “A sociedade precisa entender que a ciência segue um método rigoroso e não é mera opinião”, explica. Em tempos de desinformação, como os observados durante a pandemia de COVID-19, a comunicação clara e fundamentada se torna ainda mais crucial. Sua iniciativa no Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência) visa fortalecer essa conexão entre ciência e sociedade, promovendo informações baseadas em evidências.
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Estabelecendo Conexões com o Conhecimento Popular
Ao longo da conversa, Soraya ainda discute a importância da medicina popular e do conhecimento tradicional na pesquisa farmacológica. Historicamente, muitos medicamentos com eficácia comprovada tiveram origem em práticas populares. “Toda a farmacologia surge do saber popular, como no caso da morfina, que foi isolada da papoula”, observa. Essa conexão entre saberes é crucial para o desenvolvimento de novas terapias e tratamentos.
Envolvendo a Sociedade na Ciência
A educação em ciência é um dos pilares defendidos por Soraya. Ela acredita que é vital estimular a curiosidade desde a infância. Iniciativas como a campanha “Remédio: não usou, descartou!” são exemplos de como a conscientização pode impactar positivamente a saúde pública e o meio ambiente. “Precisamos conectar diferentes instituições para que o conhecimento científico chegue a mais pessoas”, conclui. Ao final, a visão de Soraya sobre a ciência no Brasil é uma demonstração de que há muito a se fazer, mas com a colaboração de pesquisadores e da sociedade, é possível construir um futuro mais promissor.
