Sindicato e CRM em Alerta
A recente decisão da prefeitura de Belo Horizonte de cortar funcionários do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) gerou preocupação entre o Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed) e o Conselho Regional de Medicina (CRM-MG). As entidades emitiram uma nota conjunta, destacando que essa redução pode provocar um ‘colapso’ no sistema de saúde da capital mineira.
Segundo informações obtidas pelos sindicatos, a expectativa é que haja uma diminuição de cerca de 25% no número de técnicos de enfermagem a partir de 1° de maio. Com essa alteração, as ambulâncias passarão a contar apenas com um profissional de saúde e o condutor, o que levanta sérias questões sobre a eficiência do atendimento.
Aumento da Demanda em um Cenário Crítico
A situação se torna ainda mais alarmante em um momento em que a cidade enfrenta um aumento significativo na demanda por serviços de saúde. “A gravidade da medida se acentua frente ao cenário de emergência em saúde pública, declarado pela Prefeitura de Belo Horizonte em 10 de abril, devido ao aumento expressivo dos casos de doenças respiratórias”, ressaltam os representantes do Sinmed e do CRM. Em apenas quatro meses, a capital já registrou mais de 107 mil atendimentos relacionados a síndromes respiratórias.
Para as entidades, essa diminuição nas equipes pode comprometer o acesso à saúde da população, considerado um direito básico. A nota enfatiza que o enfraquecimento do Samu e do suporte pré-hospitalar pode gerar um efeito dominó, afetando também o atendimento nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “As entidades estão adotando as providências cabíveis para enfrentar a demanda”, destaca o comunicado.
Explicações da Secretaria Municipal de Saúde
Em resposta às preocupações levantadas, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) divulgou um esclarecimento. A pasta anunciou que não renovará os contratos de 34 profissionais que foram integrados ao Samu durante a pandemia da Covid-19, com vínculos temporários. “Esses contratos expiram em 1º de maio e não terão renovação”, informou a SMSA.
A secretaria também ressaltou que as escalas de trabalho dos profissionais passarão por uma reorganização, com a intenção de manter a assistência à população, garantindo que não haverá redução no número de ambulâncias disponíveis. Apesar disso, a administração municipal reconheceu que haverá diminuição no número de profissionais atuando nas ambulâncias.
Modelo de Atendimento em Outras Cidades
Segundo a PBH, a Portaria nº 2.028/2002 estabelece que a equipe mínima para as unidades de suporte básico (USB) deve ser composta por um técnico de enfermagem e um condutor. De acordo com a Prefeitura, esse modelo já é utilizado em diversas cidades do país e será implementado em Belo Horizonte. A mudança levanta debates sobre a eficácia e segurança desse padrão, principalmente em um contexto onde a demanda por serviços de saúde é crescente.
Com o alerta do Sinmed e do CRM, a expectativa é que a população e os gestores busquem soluções que garantam a qualidade no atendimento de emergência e a proteção da saúde da comunidade local.
