O Crescente Uso das Redes Sociais nas Pré-Campanhas
A menos de oito meses para as eleições de 2026, os pré-candidatos ao governo de Minas Gerais iniciam uma intensa movimentação nas redes sociais, buscando conquistar a atenção dos eleitores. Segundo dados da biblioteca de anúncios da Meta, responsável por plataformas como Instagram e Facebook, até o momento, apenas o vice-governador Mateus Simões (PSD) tem investido em anúncios pagos, utilizando essas redes como uma importante ferramenta de comunicação política.
Outros postulantes como o ex-presidente da Câmara de Belo Horizonte, Gabriel Azevedo (MDB), e o professor Túlio Lopes (PCB), têm adotado uma abordagem diferente, optando por publicações orgânicas para engajar o público. Embora as redes sociais sejam vistas como uma boa estratégia, existe um consenso entre os candidatos e especialistas de que elas não podem substituir o contato direto com o eleitor, funcionando mais como um complemento.
Investimentos e Estratégias de Campanha
De acordo com a Meta, entre 11 de novembro de 2025 e 8 de fevereiro de 2026, Simões investiu aproximadamente R$ 60 mil em anúncios, totalizando 64 campanhas. Esses anúncios são direcionados a um público diversificado, de 18 a mais de 65 anos, abrangendo tanto homens quanto mulheres em Minas Gerais.
Nos últimos 30 dias, os gastos com impulsionamento atingiram R$ 22.091, enquanto nos sete dias mais recentes, o investimento foi de R$ 3.650. A plataforma disponibiliza informações sobre anúncios relacionados a temas sociais e políticos, permitindo acompanhar o desempenho das campanhas.
Um dos anúncios mais notáveis de Simões, que obteve mais impressões, foi sobre uma vistoria na Delegacia Regional da Polícia Civil de Nanuque, no Vale do Mucuri, alcançando mais de 1 milhão de visualizações. Este anúncio, veiculado recentemente, teve um custo entre R$ 8 mil e R$ 9 mil. A segurança pública, evidentemente, é um tema recorrente nas publicações de Simões, que busca associar sua imagem ao atual governador, Romeu Zema (Novo), que deixará o cargo ao final de março.
Complementaridade entre Estratégias Digitais e Tradicionais
Em sua análise sobre a utilização das redes sociais, Maurício Locks, coordenador da pré-campanha de Simões, enfatiza que as plataformas digitais são uma maneira eficaz de “furar a bolha” e alcançar uma audiência mais ampla. Ele afirma que a associação a Zema é uma estratégia natural, visto que ambos compartilham ideias semelhantes para o estado. Locks ressalta também que, apesar do investimento nas redes sociais, o contato direto com o eleitor ainda é fundamental. “As redes sociais atuam como um megafone, potencializando o trabalho de rua”, explica.
Enquanto Simões se destaca por impulsionar suas publicações, Gabriel Azevedo tem explorado as redes de forma orgânica. Em seu Instagram, Azevedo compartilha sua rotina na construção da pré-candidatura ao Palácio Tiradentes, incluindo viagens e parcerias por Minas Gerais. Ele acredita que, mesmo sem impulsionamento, o uso das mídias sociais ainda fornece um retorno significativo em termos de visibilidade, embora enfatize que essas ferramentas devem ser vistas como um complemento ao contato pessoal. “A interação física é insubstituível”, afirma Azevedo, enfatizando a importância da escuta e do diálogo direto com os eleitores.
A Importância do Conteúdo Orgânico
O professor Túlio Lopes, que também é pré-candidato pelo PCB e atua ativamente nas redes sociais, vê as plataformas como um meio de vincular suas pautas de interesse público, especialmente no que diz respeito ao sindicalismo e à oposição à gestão de Zema. Lopes destaca que desde o lançamento de sua pré-candidatura em dezembro, suas postagens têm gerado um aumento nas visualizações, ressaltando a necessidade de manter um equilíbrio entre a comunicação digital e as relações sociais presenciais. “Vamos seguir divulgando nosso trabalho e trazendo para as redes sociais as lutas que acontecem fora delas”, afirma.
Por outro lado, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), apresenta uma postura mais tímida em relação às redes sociais, com poucas postagens desde novembro. Essa abordagem pode refletir uma estratégia de cautela ou uma escolha deliberada de focar em outros meios de comunicação.
Desafios e Oportunidades nas Campanhas Digitais
Segundo Carla Montuori Fernandes, professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UNIP, a eficácia das estratégias de impulsionamento e conteúdo orgânico varia conforme a notoriedade do candidato e os objetivos da campanha. Ela observa que, enquanto uma presença orgânica pode reforçar a autenticidade, o investimento em anúncios pagos é necessário para ampliar o alcance das mensagens. “As eleições de 2026 prometem uma maior profissionalização das campanhas digitais em comparação com anos anteriores, com foco em planejamento e análise de dados”, destaca.
Por fim, Carla alerta para os riscos associados ao uso das redes sociais, especialmente no que diz respeito à manipulação de informações. “A tecnologia pode ser uma faca de dois gumes; além de permitir uma comunicação mais refinada, pode ser utilizada para espalhar desinformação”, conclui. Assim, o cenário político para 2026 se delineia como um campo em que a habilidade de comunicar e a ética caminham lado a lado.
