Docentes de Uemg e Unimontes se mobilizam
Os professores da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) manifestaram sua insatisfação em relação aos salários e consideram a possibilidade de uma greve. A mobilização aconteceu durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta quinta-feira (26), organizada pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, onde foi lançado um apelo para a campanha salarial da categoria.
Durante o encontro, os docentes expressaram preocupações sobre o não cumprimento de um acordo firmado com o governo do Estado em 2016 e homologado pela Justiça em 2018, que foi estabelecido após uma greve anterior. Segundo os professores, o principal ponto de discórdia é a falta de incorporação das gratificações ao salário-base, uma questão que gera descontentamento generalizado na categoria.
Os docentes também exigem a reposição das perdas salariais acumuladas, que somam 82,9%, além da reivindicação pela aprovação da autonomia universitária. O presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Minas Gerais (Aduemg), Túlio César Dias Lopes, enfatizou, em seu discurso, a necessidade de cumprimento do acordo e alertou que a paralisação pode se tornar inevitável. ‘Se necessário for, teremos mais uma greve’, declarou.
Consequências da baixa salarial e falta de reajustes
Túlio Lopes destacou que a remuneração dos professores da Uemg e Unimontes está entre as mais baixas entre as universidades estaduais do Brasil, o que agrava a crise na educação superior em Minas Gerais. Além da questão salarial, a audiência também abordou a ausência de reajustes salariais, que, segundo Wesley Silva, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Montes Claros (Adunimontes), já dura uma década sem qualquer revisão.
Silva ressaltou que as gratificações que são concedidas podem representar até 50% do salário dos professores. Contudo, essa situação se torna ainda mais crítica quando os docentes se afastam temporariamente para se qualificar, como ao cursar um doutorado, pois acabam enfrentando perdas salariais significativas. ‘Somos penalizados por nos qualificar’, lamentou o presidente da Adunimontes, frisando a injustiça que a categoria enfrenta ao buscar aprimoramento profissional.
O descontentamento dos professores é evidente, e os próximos passos da categoria serão cruciais para determinar se a greve se concretizará. A pressão por melhorias salariais e condições dignas de trabalho continua a ser uma prioridade, revelando a urgência de diálogos mais efetivos com o governo do Estado.
