Uma Celebração de Cultura e Conscientização
“Eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina.” Este verso, imortalizado nas vozes de Jorge de Altinho e Alceu Valença, ecoou no encerramento do Carnaval de Belo Horizonte nesta terça-feira, 17 de fevereiro. A citação, que remete ao Vale do São Francisco, deu vida ao desfile do Pisa na Fulô, que não apenas festejou, mas também trouxe à tona mensagens urgentes sobre a preservação ambiental.
Com o tema “Velho Chico Encantado”, o bloco transformou a Avenida Pastor Anselmo Silvestre em um leito simbólico do rio. A cenografia, figurinos e performances foram projetados para evocar ilhas e travessias, com destaque especial para as carrancas, as tradicionais esculturas que protegem as embarcações. Sob o som vibrante de zabumbas e sanfonas, o público se deixou levar pelos ritmos de xote, baião e xaxado, fazendo a festa até o amanhecer.
Reforçando Laços Culturais
Reconhecido como o pioneiro bloco de forró da capital mineira, o Pisa na Fulô ressaltou o intercâmbio cultural entre Minas Gerais e o Nordeste. O desfile celebrou a conexão entre o nascimento do rio em solo mineiro e as comunidades que habitam suas margens. Essa união de tradições e culturas foi vista como uma forma de fortalecer a identidade regional e promover a valorização das raízes.
Defendendo as Águas e a Democracia
O desfile não se limitou apenas à celebração; também serviu como um palco para manifestações políticas. A deputada federal Célia Xakriabá marcou presença e enfatizou que a defesa das águas é uma questão fundamental do século XXI. “O Pisa na Fulô traz uma mensagem recivilizatória. Enfrentamos a contaminação de rios e estamos mobilizados contra a privatização das águas. É uma pauta que vai além das divisões partidárias”, destacou a parlamentar.
Outro momento marcante foi o discurso da deputada estadual Bella Gonçalves, que defendeu a liberdade cultural no Brasil. “O Carnaval é uma manifestação soberana, e ninguém irá censurar a nossa festa”, declarou, celebrando a diversidade presente na folia.
Um Final Espetacular para a Folia
O encerramento do Carnaval de Belo Horizonte foi um espetáculo de luzes e uma demonstração de forte adesão popular. Foliões, vestidos com elementos do sertão, dançaram animadamente no asfalto até os últimos minutos, consolidando o Pisa na Fulô como o grande “ponto final” da folia belo-horizontina em 2026. O desfile, portanto, não foi apenas um evento festivo, mas também um chamado à conscientização sobre a importância da preservação das águas e da cultura nacional.
