Decisão do Júri Popular Emociona
Uma mulher, acusada de assassinar seu companheiro, foi absolvida pelo júri popular em Belo Horizonte. A decisão ocorreu no 2º Tribunal do Júri, onde o Conselho de Sentença, composto por quatro homens e três mulheres, a declarou inocente em sessão realizada na última terça-feira (24/3). A juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti acatou a decisão, considerando a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) improcedente.
O caso remonta à madrugada do dia 11 de março do ano passado, no bairro Taquaril, na região Leste da capital mineira. Segundo as acusações, a vítima, Everton Amaro da Silva, de 47 anos, tinha um relacionamento amoroso com a ré. O MPMG alegou que, naquela noite, a mulher teria dopado o homem ao colocar um sedativo em sua bebida, antes de desferir uma série de agressões com uma faca e um pedaço de madeira.
Ainda conforme a denúncia, a mulher teria, em um ato brutal, mutilado o corpo da vítima, cortando seu órgão genital e, em seguida, ateou fogo ao corpo. O Ministério Público também afirmou que um adolescente teria colaborado com a acusada no transporte do corpo para uma região de mata, onde os atos violentos teriam ocorrido.
Defesa e Narrativa da Acusada
Durante seu depoimento no tribunal, a mulher explicou que conhecia Everton desde a infância e que, embora mantivessem um relacionamento esporádico, ele estava frequentemente em sua casa. Segundo sua versão, semanas antes do crime, ela descobriu que o companheiro havia enviado mensagens de teor sexual para sua filha, que na época tinha apenas 11 anos.
No dia do crime, ela relatou que Everton chegou embriagado à residência e que, durante a madrugada, acordou com gritos de sua filha. Ao verificar a situação, encontrou o homem sobre a criança, com a calça abaixada, tentando silenciá-la. A acusada afirmou que, em um momento de desespero, conseguiu arrastar o homem até a sala, onde pegou uma faca e desferiu vários golpes contra ele, mencionando que sua ação foi impulsionada pela defesa da própria filha.
Depois de cometer o ato, de acordo com seu depoimento, um jovem que estava presente na casa se juntou a ela na decisão de remover o corpo para uma área de mata, onde ela ateou fogo. A mulher alegou que não havia agido com premeditação, mas em um momento de descontrole diante da cena que presenciou.
Desdobramentos da Decisão Judicial
Ao final do julgamento, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição da mulher, levando a juíza Maria Beatriz Fonseca Biasutti a considerar a denúncia do MPMG improcedente. A decisão, por ser de 1ª Instância, ainda pode ser alvo de recursos por parte do Ministério Público.
O caso levanta importantes discussões sobre violência doméstica e a defesa dos direitos das mulheres e crianças. A sociedade, assim como os especialistas, se vê em um dilema ao avaliar a complexidade das relações e das circunstâncias que levam a atos extremos em contextos de abuso e violência. Este episódio ressalta a necessidade de se discutir mais amplamente as condições que cercam casos de violência, principalmente quando envolvem famílias e menores de idade.
O processo está sob a numeração 5093708-36.2025.8.13.0024, e aguarda os próximos passos judiciais após esta decisão impactante no tribunal.
