Contexto do Surto de Mpox em Minas Gerais
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) anunciou a confirmação de três casos de mpox, em meio a um surto que já contabiliza 48 infecções em todo o Brasil em 2026, com a maioria delas concentrada em São Paulo. Até o dia 16 de janeiro, Minas havia notificado 19 casos, dos quais três foram confirmados, além de um caso provável, nove suspeitos e seis descartados. Felizmente, não foram registrados óbitos associados à doença até o momento.
Os três homens diagnosticados, cujas idades variam entre 30 e 49 anos, não necessitaram de hospitalização e tiveram os diagnósticos confirmados em Belo Horizonte e Contagem. O secretário de saúde, Fábio Bacchereti, explicou que a doença não é novidade e comentou que, anualmente, novos casos surgem em Minas Gerais. Ele destacou que a transmissão do vírus ocorre principalmente por contato próximo e físico com secreções de pessoas infectadas. Bacchereti alertou que, ao notar sintomas relacionados, é crucial buscar atendimento médico rapidamente, pois o tratamento imediato pode reduzir drasticamente o risco de complicações graves, como a morte.
Entendendo a Mpox: O Que É e Como Evolui
A mpox, anteriormente conhecida como “monkeypox”, é uma infecção viral pertencente à família dos orthopoxvírus, que inclui a varíola. Conforme a infectologista Flávia Falci, do Grupo Santa Joana, os sintomas iniciais são febre, dores de cabeça, mal-estar, cansaço e aumento dos gânglios linfáticos. Em seguida, a doença pode evoluir para uma fase eruptiva, onde surgem lesões na pele que progridem de uma coloração avermelhada para vesículas, e finalmente se tornam crostas. Essas erupções podem aparecer em diversas partes do corpo, incluindo o rosto, área genital e palmas das mãos. Casos mais graves podem levar a complicações neurológicas e oculares.
Embora a mpox exista há décadas em países africanos, especialmente na República Democrática do Congo, o surto global iniciado em 2022 trouxe a doença para os holofotes internacionais. O infectologista Dyemison Pinheiro, especialista em saúde coletiva, destaca que o vírus se divide em dois clados, sendo o 1a predominante na África Central e o 2b, detectado inicialmente na Nigéria, o responsável pelo surto atual.
Formas de Transmissão da Mpox
A transmissão do vírus ocorre principalmente por contato físico direto com as lesões não cicatrizadas, independentemente de ser em contexto sexual. O período de incubação pode variar de poucos dias a até três semanas. Para evitar a disseminação do vírus, é recomendado o isolamento até que todas as lesões estejam completamente curadas. Além disso, a doença pode ser transmitida por pessoas assintomáticas ou antes do aparecimento de sintomas, através de fluidos corporais ou objetos contaminados. A médica Flávia Falci enfatiza que a população de maior risco inclui homens que mantêm relações sexuais com outros homens, pessoas vivendo com HIV/Aids, imunossuprimidos, crianças pequenas e gestantes, que enfrentam riscos adicionais.
Prevenção e Tratamento da Mpox
Atualmente, não existem tratamentos específicos para a mpox; o enfoque é em terapia de suporte. A principal forma de prevenção recomendada pelos especialistas é a vacinação. O imunizante está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas acima de 18 anos que convivem com HIV/Aids, usuários de PrEP e profissionais de saúde expostos ao vírus. Contudo, o especialista Pinheiro observa que a cobertura vacinal tem sido insatisfatória, resultando em um aumento de casos suspeitos e confirmados, especialmente do clado 1b, que apresenta baixa incidência em território brasileiro. Ele alerta para a proximidade do Carnaval, período em que os contatos físicos costumam aumentar, e recomenda que quem notar lesões associadas a sintomas como febre deve evitar aglomerações e buscar um infectologista.
Além da vacinação, mudanças nas práticas sexuais e o uso rigoroso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em ambientes hospitalares são essenciais para a contenção do vírus. A adoção de medidas de higiene em locais de atendimento também se torna imperativa para mitigar riscos adicionais.
